quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Processos Coregráficos na Dança do Ventre 6 - Como Dançar com Véu

Dançar com véu é muito prazeroso, além da sensação de leveza e magia que o véu proporciona tanto para quem dança como para quem assiste é o Ás na manga para quem está iniciando.
Um instrumento na mão sempre favorece o bailarino iniciante, pois disfarça um braço mal posicionado, transmite segurança,  disfarça um eventual quadril menos dinâmico.
Só não pode esquecer que a proposta é fazer a Dança do Ventre com véu e não apenas dançar com véu, como muitas vezes vemos, uma movimentação maravilhosa de véu e nenhuma marcação de quadril ou quando esta ocorre é apenas com shimie numa parte mais intensa da música. 
Uma técnica bem interessante que aprendi com a minha primeira professora, que facilita para não esquecer dos movimentos de corpo característico da Dança na hora de coreografar  é intercalar movimento de véu, movimento de corpo e movimento de corpo com véu juntos. 
Seguindo este esquema e variando as movimentações nos níveis alto, médio e baixo a dança será sempre criativa e dinâmica.
Esta foi a preocupação que tive quando elaborei a coreografia que apresento neste texto, se observarmos existem movimentos de corpo, intercalados com os movimentos de véu nos diferentes níveis. Além da troca constante do desenho: linha, coluna, circulo  e diagonais.
Embora o véu na Dança do Ventre não faz parte de nenhuma tradição como já expliquei em outro texto sobre como dançar com véuos sete véus, é de comum acordo que o véu é usado para fazer a introdução do bailarino na dança, mas sempre existe a licença poética quando falamos de fazer arte. 
A música coreografada se chama Yassmena do músico egípcio Sayed Balaha, é uma música de estrutura clássica, o ritmo predominante é o maksum com variações, a melodia simples, mas rica no  preenchimento da textura o que dá a sensação de dinamismo na sua sonoridade. Essa musica foi a escolhida justamente por esta característica, permite movimentações rápidas e intensas. 
Este aspecto dinâmico da música foi caracterizado na coreografia na constante troca de posições dos bailarinos e o vigoroso trabalho de quadril.
É uma coreografia de nível intermediário à avançado, pois exige técnica mais apurada de movimentação, além do domínio do véu.

A seguir vídeo de algumas apresentações:
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Processos Coregráficos na Dança do Ventre 5 - Dançar com Punhal

O punhal é um instrumento pouco utilizado na Dança do Ventre, mas quando bem feito proporciona uma sensação de poder, envolvendo o público numa atmosfera de mistério, uma dança que prende a atenção de quem assiste.
Não existe uma regra específica para este instrumento, apenas sugestões de movimentos e de composições. O punhal exige uma dança intensa e moderadamente interpretativa, onde o bailarino simula uma mistura de luta interna e externa. 
Neste vídeo falo um pouco sobre este instrumento: 

Esta coreografia é fruto de uma proposta de aula, onde foi sugerido a três alunas que  elaborassem uma coreografia curta, a música utilizada foi "Wonderful Arabic Music Instrumental", que sugere o mistério que o punhal pede, o crescente em sua massa sonora traz a agilidade de uma batalha para a movimentação do grupo. Como disse é uma música excelente para a dança com punhal
Apesar de não ser eu que a elaborei vejo muito do meu trabalho nela, a estrutura em roda e diversos movimentos que fazem parte do meu repertório foram utilizados e bem colocados, é  perceptível o estudo prévio da música em sua forma e textura, fizeram muito bom uso das marcações para expressar a intensidade do instrumento.
Caso você não tenha visto os textos anteriores sobre composição coreográfica click aqui
Na sequencia alguns vídeos das apresentações:








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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Processos Coreográficos na Dança do Ventre 4 - Solo de Derbak


Priscila Genaro
Este texto é o quarto da série processos coreográficos onde explico as diversas formas de elaboração de coreografias, caso não tenha visto os anteriores ao lado tem um menu ou você pode acessa-los aqui ou ainda se cadastre para receber em seu email, nossas informações, textos, vídeos e tudo que publicamos sobre a Dança do Ventre e o universo que a acompanha.
A coreografia de hoje foi realizada na música Fiesta Tabla Master, um belíssimo solo de derbak  trabalhado dentro de uma composição musical clássica, ela faz parte do CD bem antigo da bailarina Samara. 

Capa do CD Samara
Na elaboração de um solo de derbak o bailarino tem a liberdade de criação, o que importa neste  tipo de construção coreográfica e a representação corporal das diversas variações sonoras. O bailarino deve representar de forma perceptível para o público a variações de sons graves e agudos que o derbakista pode produzir com o instrumento. 

O derbak é um instrumento que possibilita uma gama de sons diferenciados que pode ir de um estalo bem agudo a um baque grave e forte, incluindo vibrações de diversas intensidades. Alguns destes sons são nomeados de Dum, Ta, Ka e Rush. Porém as variações sonoras vão além destas quadro nomenclaturas, que impreterivelmente devem ser representados na movimentação do corpo de quem dança.

De todas as coreografias que já fiz esta é a que gosto mais, penso ser  fruto de um momento de intensa Inspiração, acredito que todo artista criador possui uma conexão Divina que o inspira e coisas grandiosas e perfeitas surgem como que por mágica. É o caso deste solo de Derbak.
Vou contar a história desde o começo, houve um período em minha vida que todo final de semana havia ao menos um show na agenda. Eu estava na loucura conciliando meu cargo na educação, a dança, a faculdade e dois filhos, vivia correndo de um lado para o outro e dormindo nos intervalos. Até que finalmente uma noite de sábado de folga sem show. 

Terminei as aulas e cheguei em casa às vinte e uma horas, meus filhos estavam com o pai naquele fim de semana e eu fiquei lá sem nada pra fazer, parecia que ali nem era minha casa de tanto tempo que eu passava fora, só pra variar coloquei um CD e fiquei dançando.

Geralmente solos de Derbak não me empolgam muito, gosto de musicas melodiosas, então pulo estas faixas dos CDs. Mas neste dia quando na sequência tocou este solo dancei e como num transe a coreografia inteira surgiu de uma única vez, ao final eu sentei e anotei, coisa que nunca faço, depois dancei de novo e a coreografia estava lá pronta, sem analise da músicas  ou estudo das possibilidades de movimentos, simplesmente ela surgiu pronta em minha mente como uma visão mística.
Alunas do FIDES Centro de Cultura
Nesta época eu tinha um grupo de alunas avançadas que levava para dançar e passei para elas a coregrafia, simplifiquei alguns movimentos e depois com o tempo fiz mais algumas adaptações em relação ao uso do véu.

O véu dourado sofreu mudanças, à princípio era reto e retangular, depois passou a ser o arredondado que usamos hoje, colocamos umas varas de uns trinta centímetros nas pontas para dar movimento, até então eu nunca tinha visto véus com apoio nas pontas, fora o véu wings, hoje já vi em algumas coreografias.

Essa coreografia é minha obra de arte a danço por mais de 15 anos. Quando comecei a fazer os vídeos para a internet fiz um workshop online ensinando-a passo a passo, o vídeo não está bem editado, mas vale a pena o registro. Caso queira aprende-la só acessar o link:

Na sequencia os vídeos de algumas apresentações:

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domingo, 3 de junho de 2018

Processos Coreográficos na Dança do Ventre 3 - Música El Ard com Pandeiro



Priscila Genaro pandeiro
Este é o terceiro texto desta série, no primeiro explico 3 aspectos que considero importante na construção de uma coreografia, no segundo faço um relato do processo coreográfico  da Musica Salamalekum do Grupo Mawaca.

Hoje vou relatar a construção de uma coreografia que adoro, realizada com a musica El Ard do músico Mario Kirlis . Diferente da anterior, esta não teve uma busca prévia, não tem uma história intencional.  Nasceu de uma sequência de aula de uma turma iniciante, cujo o propósito era o treino de alguns movimentos na célula rítmica said.

Como tínhamos uma apresentação se aproximando e essa turma era novinha apenas três meses de aula, não tínhamos nada preparado. Então a sequência evoluiu para a coreografia, tanto que repetimos várias vezes os mesmos movimentos devido o pequeno repertório trabalhado até então.

Priscila Genaro Dança com Pandeiro
O véu foi uma forma de dar uma entrada triunfante à coreografia e distrair a atenção do público da pouca técnica do grupo preenchendo o palco com o dinamismo que o véu proporciona. O mesmo ocorre com o uso do pandeiro.

Dançar com um instrumento facilita a vida do aluno iniciante, pois define onde posicionará seus braços, evitando os terríveis braços perdidos que os recém praticantes de Dança do Ventre apresentam.

A maioria das minhas coreografias em algum momento formam uma roda, pois acredito na simbologia do círculo, todas os integrantes equidistantes dançando um para a outro, além da segurança de estar vendo o que o colega faz, o grupo se fecha num clima íntimo.  Muitas vezes quando estamos em roda nos olhamos e neste momento só exite a roda, o público e o palco se dissolvem num círculo amigo e protetor, excelente para os novatos.

É interessante a transformação dos rostos tensos procurando um alento em sorrisos felizes, alguns alunos me olham a procura de aprovação, quando lhe retribuo com sorriso é visível o alivio imediato. Neste momento sei que nasceu um bailarino.

Eu adoro essa coreografia com o pandeiro por ser  simples, fácil e bonita. Com ela foi possível trabalhar na turma os deslocamentos em cena e o tempo do said, pois tinham que bater no pandeiro no tempo certo, porém sem a exigência do conhecimento aprofundado sobre a estrutura musical, assim foi possível uma aprendizado natural e tranquilo. Depois fizemos uns ajustes e a dançamos com snujs ficou muito bom também.

Música alegre, turma muito boa e empenha foi a receita perfeita para um trabalho bem feito, guardo na coração os momentos gratificantes com esta turma.

Na sequencia dois vídeos onde explico um pouco sobre a Dança do Pandeiro e uma das apresentações que realizamos com esta coreografia:









Segue abaixo vídeos de algumas apresentações.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Processos Coreográficos na Dança do Ventre 2 - Coreografia Mawaca com Véu Rosa

Dando continuidade ao texto anterior onde expliquei o processo coreográfico na Dança do Ventre, hoje começa uma série de textos nos quais relatarei as pesquisas feitas na construção de algumas coreografias que gosto muito. 

A primeira coreografia desta série foi feita com a música "Salamalekum do grupo vocal, brasileiro, Mawaca que apresenta músicas do mundo inteiro acompanhadas de um instrumental ricamente elaborado. A escolha teve por critério o ar das mil e uma noites, dos castelos orientais relatados nos livros e contos orientalistas que ela nos remete. Embora exista uma crítica a este tipo de literatura, quando falamos do oriente antigo é esta a visão que vem a nossa mente e foi desta imagem que partimos para a construção da estrutura da dança.

O tema da coreografia nasceu antes da música, minha intensão era representar uma história épica o encontro da harmonia e do cotidiano  das mulheres com seus  homens guerreiros cada um em suas representações arquetípicas.

Mulheres suaves e apaziguadoras ao lado de homens fortes e viris,  que apesar da força e masculinidade são envolvidos pela doçura feminina quando regressam ao lar após a contenda, pois sabem que elas estão lá prontas para recebe-los.

A coreografia tem um toque Andaluz, para retratar essa expressão estudei o que é a dança Andaluz. Embora a maioria dos bailarinos conhecem e optam por representar a versão Andaluz de Mahmud Reda com movimentação de braços e pernas em arabescos e poucos movimentos de quadril, é necessário compreender que Andaluz é uma fusão cultural que ocorreu entre os povos árabes e os povos da península Ibérica durante a expansão Islâmica após 750 d.C., mais precisamente na região de Andaluzia no sul da Espanha, região de cultura ricamente diversificada devido a sua localização geográfica que possibilitava grande intercâmbio comercial e cultural com outros povos dos continentes Africano e Asiático.

Sou muito fã de Mahmud Reda, quando ele veio ao Brasil fiz todos os seus workshops e me apaixonei por seu trabalho e da Farida Farmy, principal bailarina de sua companhia de dança. 

Por isso não poderia deixar de estudar as suas composições, observei o que preservou da dança andaluz européia e que preservou da dança árabe. Observei a leveza dos passos, os movimentos de mãos como também as danças dos homens com sua força masculina implícita nas movimentações e gestos que poderiam ser acrecidas. E nasceu essa coreografia que chamamos de "Véu Rosa"

Pensar no figurino foi outro processo, não tinha a intenção de reproduzir mais uma versão das coreografias Reda, então busquei inspiração nas imagens que retratam o oriente de  Giulio Rosati, Rudolf Ernst e Frederick Arthur Bridgman, pintores orientalistas.

Em algumas apresentações dançamos usando o tantur para prender o véu. Tantur é um chapéu em formato de cone, seu uso é mais comum na região do Líbano pelos povos das montanhas até século XIX, quanto maior e mais comprido era o cone mais prestígio e riqueza representava.

Mas como era mais difícil fazermos um tantur, fizemos um tarbuch, chapéu turco que é comum ser usado pelos muçulmanos. Quando o Império Romano ocupou todo o oeste, o tarbuch passou a ser usado também no Egito e em outros países e regiões que foram dominadas.

Assim fizemos uma misturinha bem consciente em nome da arte e do compromisso com o público de  fazer um belo espetáculo. 

O Véu Rosa é uma coreografia que gosto muito pelo atmosfera singela e simples que transmite.

Nas sequencia o vídeo de uma das apresentações: 


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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Processos Coreográficos na Dança do Ventre - Parte 1



Coreografar uma música pode ser uma processo simples de unir movimentos harmoniosamente ou pode fazer parte de um extenso trabalho de pesquisa e elaboração.
Muitas pessoas tem dificuldades em fazer composições e acabam por fazer recortes sem sentido de diversas outras coreografias, o que acarreta uma monotonia quando assistimos a um evento com diversos grupos, pois acaba por todos fazerem as mesmas movimentações e até mesmo os figurinos se tornam parecidos. Criar é um processo que envolve criatividade e conhecimento, quanto mais conhecimento mais subsidio se tem na criação.
Quando vou elaborar uma composição coreográfica parto ao menos de um destes três pontos, as vezes mais de um:

1- Eu tenho uma musica inspiradora;
2- Tenho uma ideia, uma mensagem ou uma história;
3- A coreografia surge através de uma emoção momentânea.

Musica inspiradora   

Algumas músicas são inspiradoras, quando começo o processo coregráfico partindo da música pesquiso o músico ou a banda, verifico bem sua nacionalidade, em que época a musica foi composta, se existe alguma história por traz da sua composição, sua letra, enfim tudo que existe de informação sobre ela. Depois verifico a célula rítmica e sua textura e forma. Somente depois desta analise eu começo a pensar na movimentação cênica, que desenhos serão formados no palco, diagonais, linhas e figuras possíveis em cada momento e em  quais planos serão realizados, alto, médio ou baixo. Somente depois encaixo os movimentos específicos de quadril, braços e pernas. Por último a introdução e a finalização. As vezes faço uma introdução provisória até tudo ficar pronto e sentir a melhor forma de entrar em cena.


Ideia ou Mensagem

Acredito que este é o processo coreográfico mais difícil, exige mais pesquisas para encontrar a musica certa que se encaixa na proposta, o figurino que a representa, e toda a movimentação que possa expressar o conteúdo desejado. O grupo que vai apresentar a coreografia deve estar integrado à ideia do coreógrafo para que a mensagem não se perca. Deve-se garantir a afinidade das ideias e objetivos.

Emoção momentânea

Esta forma de coreografar pra mim é a mais prazerosa e rara de acontecer. É quando simplesmente toda coreografia surge na mente pronta, sem nenhuma intensão ou motivo, os passos se unem e se completam. A coreografia nasce naturalmente pronta e completa.


Quando danço solo nunca coreografo, prefiro deixar a dança acontecer livremente, para dar espaço para a emoção do momento, a interação com o público, porém estudo a musica ouvindo-a e dançando muito e muitas vezes, registro suas marcações e possíveis movimentos que possam vir a ser realizados. Quando elaboro coreografias para dançar em grupo evito assistir outros grupos que já tenham coreografado a mesma musica para não sofrer influência, o nosso cérebro registra o que vemos e mesmo sem intensão reproduz o que já está na memória.

Entendo que coreografar é sentir e falar sem usar palavras é como contar um sonho, muitas vezes as partes não fazem sentido, mas ao final sempre gera uma emoção. Fazer arte é emocionar-se e emocionar o outro. Dançar é sentir com o corpo todo algo que a maioria das pessoas só percebe com os ouvidos. 

Nos próximos textos irei contar como foram os processos coreográficos de algumas danças que realizei.


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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ás Almas Dançantes do Mercado Persa - II



Neste final de semana tivemos o tão esperado Mercado Persa, o dia D  da Dança do Ventre, a apresentação mais difícil do ano, bailarinos dançando para bailarinos, olhos fraternos e pensamentos críticos se equilibrando na corda bamba em meio aos aplausos, luzes e muito brilho.

Alguns saem exuberantes com os louros da vitória e uma ou mais medalhas no peito e outros saem sabendo que foram melhores que os melhores eleitos, torcendo para que a justiça dos jurados estejam de acordo com sua justiça no próximo ano.

Enfim... lágrimas a parte é uma festa maravilhosa, de encher os olhos e o coração. Os palcos mais democráticos que o capital pode proporcionar. Homens, mulheres, crianças, seres sublimes uno em prazer e alegria fazendo aquilo que os une, a Dança. Cada qual com sua individualidade, sua personalidade numa esplendida colcha de retalhos que levo em minha memória gravado para sempre através dos sentidos.

Voltando pra casa em minha mente um desfile das mais ricas imagens, fecho os olhos e vejo todas as suas cores, suas formas e os mais ricos e delicados movimentos. Ouço as diversas músicas já tão conhecidas e muitas outras que faço questão de pesquisar depois  para incluir em meu repertório. Em meu corpo ainda sinto os diversos abraços e beijos dos velhos amigos de dança que só encontramos em momentos assim. Na memória olfativa... olfativa sim. O Mercado Persa tem seu próprio aroma, cheiro de dança realizada misturado com os muitos cheiros de perfumes, maquiagens, cremes de cabelo e carpete bem pisado.

Este é o Mercado Persa, uma festa bem brasileira, alegre e colorida que preenche nossa alma dançante de desejo de fazer muito mais e cada vez melhor.

Uma festa maravilhosa que mal acaba e já estamos pensando no que faremos na próxima edição.
Parabéns Almas Dançantes que participaram mais uma vez deste mercado de dança, de arte, de vida, de alegria, de aprendizado, de desejo e de sonho.

Parabéns Almas Dançantes, desejo que o ano que vem dancemos mais, vibremos mais, que possamos nos reconhecer como amantes e amados neste mesmo sonho que é Dançar.

Até o Próximo Mercado Persa!


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FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde

quarta-feira, 28 de março de 2018

Dança do Ventre na prática - Como ter Quadril Vigoroso e Expressivo

"...a dança, precioso instrumento para aprimorar o conhecimento do gesto"
Ivaldo Bertazzo

Todos que praticam a Dança do Ventre compartilham do desejo de ter um quadril forte que marque perfeitamente a textura da música. 

Mas qual é o caminho?

Bailarinos irão dizer: treine tecnicamente cada movimento. Mas muitos alunos treinam muito e o desenvolvimento é pequeno e surge o mito "tenho um quadril duro". Acredito que isso não existe.
E o que falariam outros profissionais como da área da educação física ou da fisioterapia? Irão dizer faça exercícios de fortalecimento e alongamento. Somente fazer exercícios para o quadril não resolve porque faltará a técnica específica, faltará harmonia dos movimentos de braços e pernas.

Então qual é a resposta?

Depois de mais de vinte anos ensinando a Dança do Ventre, observando a evolução de centenas de alunos. Acredito que a junção das duas respostas é o ideal, nosso corpo é formado por um todo complexo e interligado, cada vez mais pesquisadores da área defendem o trabalho global para se ter um bom aproveitamento dos movimentos e desenvolvimento da psicomotricidade, fator primordial na prática da Dança do Ventre. Porém o trabalho corporal deve dar enfase nas articulações e grupos musculares que favorecem os movimentos da Dança. Ou seja precisa-se pensar em trabalhar o corpo como um todo e intensificar os trabalhos que favoreçam  movimentos técnicos que caracterizam a Dança.

Não existe fórmula mágica, os movimentos fortes que denotam força e impacto exigem força do reto abdominal, glúteos, e quádriceps entre outros músculos que também se localizam no abdome, quadril e coxas.  Para movimentos de ondulações o segredo é um corpo bem alongado e flexível. 

Não é a toa que bailarinos clássicos passam a vida se exercitando além dos treinos técnicos, todo bailarino profissional deve dominar os movimentos específicos da Dança e exercitar-se todos os dias. Abdominais, flexões, agachamentos e muito alongamento devem fazer parte de sua rotina,  pois além de manter o corpo forte e flexível a resposta aos ensaios e treinos serão mais rápidas e evitará possíveis lesões. Como também o cérebro encontrará mais  rapidamente o caminho para executar os movimentos pois os músculos estarão preparados e sensibilizados, por assim dizer, para o trabalho coreográfico.

Nosso corpo é uma máquina perfeita e a compreensão de seu funcionamento favorece o melhor aproveitamento de seu trabalho, por isso um profissional bem qualificado deve estudar e compreender a anatomia e a cinesiologia aplicada a dança. 

"Assim como o fruto do nosso cérebro é o pensamento, o fruto do nosso sofisticado aparelho locomotor é o movimento" Ivaldo Bertazzo


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terça-feira, 20 de março de 2018

Meu Corpo Minhas Regras na Dança do Ventre

"Possuímos uma forma que é a soma da herança genética
 e de atitudes psicocomportamentais. Estes componentes 
definem o modo pelo qual cada um administra 
a própria energia."
Ivaldo Bertazzo

Esta semana comecei a ler o livro Cidadão Corpo de Ivaldo Bertazzo, é interessante que quando passamos a pensar algo vários textos e conversas nos levam a refletir sobre este algo. E isto vem acontecendo com meus estudos sobre a Dança do Ventre.
Já faz um tempo que percebo que ela vem tomando rumos massificadores que não vejo nas danças das bailarinas da Era Gold que foram as pioneiras da Dança do Ventre como a realizamos hoje, como também nos relatos que encontramos nos site destes primeiros bailarinos. 
Quando estudamos os processos de construção coreográfica do Mahmud Reda, Taheya Karioka e Nayma Akef, percebemos que todos eles além de estudarem suas raízes na Dança, buscaram referencias nas diversas danças do mundo, com o objetivo de realizarem espetáculos grandiosos que agradassem o público. Coreografavam danças fluídicas e esteticamente palatáveis, amenizando a dança nativa extremamente visceral, no entanto mantinham a liberdade de expressão e intensidade energética natural.
Porém quando leio textos atuais ditando regras penso, será que estes bailarinos que formataram a Dança do Ventre conheciam estas regras? Não vejo regras em suas Danças, não vejo unidade em seus movimentos, só consigo ver singularidade em cada bailarino e diversidades na expressão corporal. Cada um tinha sua própria forma de dançar e criar a sua Dança.
Acredito que a Dança do Ventre tem uma linguagem que a diferencia das demais danças, que a torna unica e cativante tal como é. Ela possui a linguagem do quadril expressivo, intenso, quase lascivo e irreverente. Por mais que todas as grandes bailarinas e bailarinos fizeram fusões no passado o movimento de quadril permaneceu na base de sua composição. Cada vez mais penso que esta é a unica regra.
Cada bailarino e bailarina coloca em sua Dança sua história que pode fazer parte do seu Eu verdadeiro ou de um eu idealizado, não existem regras para as locomoções, giros e formas de parar no palco, existe apenas o bom senso de realizar uma dança esteticamente aceita pelo público ou não se esta for a intensão do artista. 
Enfim para dançar a Dança do Ventre basta ter quadril e se expressar por ele, o restante são meros complementos que embelezam e enfeitam a Dança.

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No próximo texto falarei sobre como treinar este quadril expressivo.
Até lá!

quinta-feira, 8 de março de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 3 - Realização e Prazer


Sempre ao final das aulas incentivo os alunos a dançarem livre, as vezes uma de cada vez, as vezes insiro alguma proposta pra estimular a criatividade e em outras vezes todo mundo dança junto livremente em uma grande festa. É nesta hora que percebo a evolução de cada uma e o que preciso trabalhar nas próximas aulas.

Nesta semana não foi diferente, porém enquanto assistia cada uma dançando fazendo seu máximo para realizar a proposta sugerida naquela aula, algo mágico tocou meu coração, uma felicidade e sentimento de algo realizado plenamente. 

Aquelas pessoas que estavam ali na minha frente pareciam crianças brincando, seus olhos, seus sorrisos, o olhar de cada uma, só me diziam uma coisa; como é maravilhoso trabalhar com o que se ama, trabalhar com o que faz bem às outras pessoas. Como é maravilhoso trabalhar com o bom e o belo, com o que dá prazer.


Este não é o primeiro post sobre o trabalho profissional com a Dança do Ventre, já falei sobre DRT em Dança, como ser profissional, enfim o que mais tenho falado neste blog é sobre o sucesso profissional na Dança do Ventre. Mas o maior sucesso que se pode ter em uma profissão é o prazer em trabalhar com ela e perceber o quanto seu trabalho faz bem as outras pessoas.


Claro que precisamos de gerar renda, sem dinheiro não temos nem a internet pra postar este texto. Porém acredito que este é a consequência de um trabalho bem feito e bem direcionado, não basta amar o que fazemos, temos que compreender e conhecer a fundo todas as facetas deste trabalho, ser um profissional de ponta como dizem nos mundo empresarial e também saber divulgar seu trabalho. 

No caso da Dança do Ventre, não basta saber dançar. Tem que conhecer a fundo o que é a Dança do Ventre, pensar e refletir sobre a própria trajetória profissional, como também que Dança você irá ensinar, no caso do professor de Dança.


Embora a Dança do Ventre exija que eu estude muito, que eu pratique muito, eu amo a Dança do Ventre porque ela me permite trabalhar e viver uma vida de prazeres e realizações comigo mesma quando estou no palco e com o outro quando as alunas estão em cena. 


Eu amo a Dança do Ventre porque além de me fazer feliz, me permite fazer outras pessoas felizes, permite que eu semeie a felicidades no coração das outras pessoas a minha volta.

Eu amo a Dança do Ventre porque quanto eu olho para o outro eu entendo a mim mesma. Quando eu entendo o limite do outro eu expando os meus limites. 

Eu amo a Dança do Ventre porque em cada aula que ensino a dançar eu aprendo a viver.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 2 - O Caminho da Felicidade

Nosso cérebro é programado para sentir, interpretar e compreender tudo o que está a nossa volta e as nossas vivencias. 

Como isso ocorre não é mágica e nem mistério. Os centros de pesquisas tem avançado muito no estudo das substâncias que estimulam as sensações e emoções, infelizmente estes estudos possuem o objetivo de dar mais lucro à industria farmacêutica. Mas como nem tudo é para o mal, podemos tirar vantagem disto compreendendo melhor o nosso corpo e o nosso cérebro e como os dois estimulam nossa mente.

E o que a Dança do Ventre tem a ver com isso?

Tudo. Quando dançamos favorecemos a fabricação de diversas substâncias no nosso organismo e entre elas quatro muito importantes, tanto que foram apelidadas de quarteto da felicidade, pois quando em equilíbrio nos faz seres felizes e completos. Não somente a Dança do Ventre favorece isso, toda atividade prazerosa pode proporcionar a fabricação destes neurotransmissores, mas como este blog é sobre Dança do Ventre segue algumas dicas para quem procura o Caminho da Felicidade e quer ou pratica esta Dança Deliciosa.

Trace um objetivo palpável e próximo de ser atingido, pois ao traçar objetivos nosso corpo fabrica a dopamina que nos dá aquela sensação gostosa de conquista e desejo de realização comuns nos novos projetos. Comece com coisas simples, participar da próxima apresentação do local onde faz aula, não faltar em nenhuma aula este mês... E por aí vai, pequenas conquistas que devem ser comemoradas e a cada conquista trace um novo objetivo. Assim estará sempre renovando sua dose de dopamina, estará sempre animada com novos objetivos dentro da sua prática de Dança.

Se sinta o máximo, isso fabrica serotonina componente importante na fabricação de antidepressivos, pois sua falta causa a depressão e sentimentos de solidão. Mas como impulsionar sua fabricação naturalmente pelo organismo? Sabe aquela frase "fulana se sente", pois é, ela fabrica serotonina. Se valorize, perceba sua evolução na dança e na vida. Busque formas de se aprimorar sempre e perceba este crescimento, se ame, valorize o que tem de melhor. Todo mundo tem algo que faz bem, se é o shime ou uma ondulação, arrase nisso, use e abuse do movimento que faz melhor e "se sinta". O Palco não aceita os humildes, o bailarino é um astro cintilante, porém fora dele humildade faz parte do autorreconhecimento, pois quem se valoriza, valoriza também o outro.

Faça amizades, quando chegar à sua aula de dança veja as pessoas que estão  lá como parceiros e não como competidores, se permita cumprimentar as pessoas com abraços sinceros isso fabrica ocitocina, o hormônio das relações interpessoais. A pratica de Dança, além de ser uma atividade física também favorece o surgimento de novas amizades, mas para isso você estar disposto, fazer amigos não é fazer do outro seu muro de lamentações, o outro também quer ser ouvido. A palavra chave é compartilhar, trocar, ceder( não sempre), compreender, dar ao ouro o que você gostaria de receber sem exigir o retorno, fazer amizades é estar disposto a ver o outro. No ato de Dançar também fabricamos ocitocina quando acontece a entrega, pois ele é fabricado no momento no orgasmo, do êxtase, quem já passou por isso sabe que a plenitude no palco nos dá a mesma sensação do orgasmos, dançar em plenitude e totalmente entregue nos traz o êxtase da alma e muita ocitocina.

De risadas, quando errar o passo ria, quando não entender o movimento ria, gargalhe das pequenas desventuras que ocorrem nos ensaios e nas aulas de dança. Assim receberá doses frequentes de endorfina que combate os estresse, a dor e a depressão, pois tem efeito calmante no organismo. 

Por isso amamos a Dança do Ventre, ela assim como outras atividades, nos permite criar novos projetos e desafios, nos permite sentirmos bem com nós mesmos, ver o outro como amigo e parceiro, nos ajuda a superar as dificuldades do dia a dia. 

Amamos a Dança do Ventre, pois ela nos dá tudo o que muitos buscam nas farmácias e em outros lugares ilícitos. 

Amamos a Dança do Ventre porque nos faz feliz!!!


  

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 1

Outro dia em um grupo do Facebook um integrante questionou quanto a fala comum entre os praticantes de Dança do Ventre quando dizem que esta Dança resgata o Eu feminino é uma Dança Transformadora...enfim.   Questionava as mudanças psicofísicas que algumas pessoas relatam que ocorrem ao iniciar a prática e argumentava que ela não via nada disso na Dança, a praticava por achar linda somente.

Desde então passei a pensar sobre o assunto, pois pra min a Dança do Ventre foi exatamente tudo isso, me encontrei, me achei, me senti mais mulher, mais forte, mais tudo. Me descobri afinal.
Mesmo tendo vivenciado diversas danças, foi na Dança do Ventre que me senti artista com sua magia  e Deusa em plenitude ao mesmo tempo.

Mas por que isso ocorre com algumas pessoas e outras não? Por que algumas pessoas sentem tão vivamente as mudanças proporcionadas pela pratica da Dança e outras não?

Depois de mais de vinte anos de Dança convivendo com muitas alunas e alunos, cada um com suas histórias singulares, entendo que sim, a Dança do Ventre transforma, lapida, enriquece,  traz de volta algo que nem sabíamos que tínhamos. Mas para cada um este encontro é diferente e com intensidades diferentes, umas mudanças mais perceptíveis e outras mais sutis, mas sempre elas ocorrem.

Foi estudando o Yoga que encontrei uma resposta satisfatória para mim até o momento. Marcello Árias Dias Danucalov e RobertoSerafin Simões no livro "Neurofisiologia da Meditação" fazem uma extensa e profunda explicação sobre as mudanças químicas e fisiológicas que ocorrem no corpo e no encéfalo que leigamente acredito encaixa também na Dança do Ventre. Resumidamente a pratica da meditação desencadeia processos químicos que modificam a forma que o cérebro compreende o mundo externo,  causando novas ligações nervosas. Assim quem medita sente o mundo de forma diferente.

Acredito que a Dança também possa causar tais mudanças, mas não a Dança coreografada, onde a
preocupação com a sequencia, tempo, espaço e ritmo são predominantes exigindo uma ação racional e lógica. Embora seja comprovado que este tipo de Dança coreografada também proporciona inúmeros benefícios quanto ao nível de serotonina e cortisol no organismo, favorecendo a elevação da auto estiva e a diminuição do estresse e ansiedade, o que para muitos já é um ganho substancial na qualidade de vida.

Mas a Dança do Ventre vai muito além, quando estimulada de forma espontânea, sem coreografia, sem regras, somente um corpo que Dança de forma expressiva e instintiva, acredito que assim como a meditação traz profundas mudanças fisiológicas, o que muitos podem chamar de encontro com o Eu.

E foi isso que vivi e vivo com a Dança do Ventre. Quando estou sozinha em minha sala e me entrego a musica, não existe mais nada,   me sinto em total simbiose com o som que me preenche, sinto que o mundo se ilumina, cheio de Alegria, me sinto em Plenitude. O que também ocorre quando pratico Yoga.

Assim respondendo a pergunta inicial acredito que amamos a Dança do Ventre, pois nos faz seres unos em corpo e mente mesmo que inconsciente. Mesmo quando não temos esta intensão nossa mente transborda de emoções benéficas. Mesmo que não percebamos mudanças ocorrem em nossa mente e nossa forma de ver a vida e o mundo. Amamos a Dança do Ventre porque o mínimo que ela nos proporciona e a alegria do momento vivido.



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