quarta-feira, 21 de agosto de 2019

O professor que aprende - A arte de ensinar Dança

É incrível como no palco somos todos iguais.O frio na barriga, a tensão, a euforia, a alegria da realização e de receber os aplausos. No palco somos todos estrelas cintilantes no céu do fazer arte.

No último dia 18 de agosto aconteceu o Festival de Aniversário  do FIDES, e passei estes dias vendo as fotos e os vídeos para compartilhar e principalmente ver como foi o Festival, pois nós que estamos dentro não conseguimos ver como na realidade tudo aconteceu. 

Sou profissional em Dança do Ventre, mas nas outras modalidades que pratico sou aluna e me ver no palco como aluna é muito interessante, perceber meus erros e ver o que preciso melhorar me fortalece como professora, me aproxima das aflições dos alunos em colocar a cara a tapa e subir no palco sentindo-se seguro ou não.

Vejo meus erros primários, ouço a voz da professora Gabriela me corrigindo e penso como é dolorido para o aluno se ver errando algo que ele fez mil vezes. Já passou pela minha cabeça em não dançar as outras danças que ainda não domino, mas o palco me chama... E penso como amenizar esta situação, como impedir que o aluno desista por achar que tem dificuldades.

No livro "Obesidade e Fatores Associados" oferecido pelo CREF ( Conselho Regional de Educação Física) aqui de São Paulo coloca que os fatores psicológicos e emocionais fazem parte das principais  causas das pessoas abandonarem as atividades físicas, mesmo sabendo de todos os benefícios que a permanência lhe proporciona.

Assim cabe ao profissional, buscar estratégias positivas, momentos de satisfação e objetivos realistas porém numa perspectiva de evolução e progresso contante, que possam ser mensuráveis pelo aluno.

Eu ainda penso que no caso da Dança o professor, além destas estratégias, deve ser o motivador, a mola motriz para que o aluno sinta-se capaz e feliz em realizar sua Dança. Ser o apaziguador de possíveis conflitos, disputas e momentos de insegurança.

O professor de Dança é o elo que uni todos os alunos de uma ou mais turmas, mas não pode ser a corrente que puxa o aluno para a realização, nem a corrente que amarra, que não acredita na capacidade de quem ainda está aprendendo. 

Quem ensina a  Dança deve ser a base segura e forte, que apoia, incentiva, corrige, orienta, faz o aluno ser o que ele quer ser, do jeito que quiser, com autonomia e consciência da arte que realiza.

Saber olhar para o aluno ansioso e dizer "calma ainda não",  e também saber olhar para aquele que tem medo e dizer "vai você consegue".

Os espetáculos das escolas de Dança, são os melhores lugares para errar e refazer, para se perceber como aprendente e buscar as melhorias. 

Eu percebo que a cada espetáculo os alunos estão melhores, autônomos e verdadeiros, me sinto realizada como professora.

E eu enquanto aluna me vejo melhor, consigo ver meu progresso e vejo o quanto tenho que melhorar e sou grata pela professora que tenho. 

Dançar é colocar sua alma a frente de sua razão. E isto é muito difícil.

Grata queridos alunos por me fazer pensar sobre isso.
Grata professora Gabriela Braz por me fazer praticar isso.

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