quinta-feira, 9 de maio de 2019

Dança do Ventre: Sensualidade e Preconceito por Jusci Santos

Trabalho de realizado por Jusci Santos para a conclusão do Módulo Fundamentos da Dança do Ventre do Curso de Formação e Capacitação em Dança do Ventre oferecido por FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde sob coordenação de Priscila Genaro


Dança do Ventre: Sensualidade e Preconceito  por Jusci Santos


Introdução
A dança do ventre é uma arte milenar, e, por ser tão antiga, suas origens se confundem com os tempos primitivos, desde que o homem possui necessidade de reverenciar o divino. Apesar de a dança no antigo Egito ter sido considerada sagrada os constantes contatos com diferentes culturas acabaram por disseminar a dança em sua forma popular.
Por ser uma dança que explora a sensualidade, foi e é utilizada de forma deturpada em relação ao seu caráter e significados antigos. “O aspecto sagrado foi deixado de lado para sobrevir o aspecto do entretenimento”. (BENCARDINI, p. 29, 2002).
Se por um lado a bailarina é uma mulher cuja profissão lhe permite ser livre, por outro lado a dança pode representar para ela também alguma forma de ostracismo social, devido ao preconceito.
Por está a escolha do tema “Sensualidade e preconceito” para esclarecer os principais fatos na história que contribuíram para essa interpretação e quais as conseqüências desses fatores para arte atualmente.

Metodologia
O método utilizado foi a pesquisa bibliográfica, que é elaborada com base em material já publicado em relação ao tema de estudo, como ,artigos, livros, revistas, jornais, teses, dissertações, e materiais disponibilizados pela internet. (GIL, 2010; LAKATOS; MARCONI, 2008).

Dança do Ventre: Sensualidade e Preconceito

Aspectos históricos da dança do ventre.
Os registros encontrados mostram que a dança do ventre surgiu como forma de culto, vista como uma “condição propícia ao transe, e que poderia levar a pessoa a um estado de comunicação direta com o mundo espiritual.” (BENCARDINI, 2002). As mulheres dançavam em reverência as deusas. Através de movimentos ondulatórios e batidos de quadril, as mulheres reverenciavam a fertilidade e celebravam a vida.

Segundo Thaleb, a dança relacionada a uma ligação divina, enquanto os movimentos do quadril, pernas e pés são símbolos de uma relação direta com a terra, com o profano (THALEB, 2003).

Com o passar do tempo, homem foi se afastando da natureza assim como da figura poderosa da mulher. A sociedade passou a ser patriarcal e não mais matriarcal como era antes. Essas mudanças aconteceram juntamente com a chegada das religiões monoteístas, o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo que criaram deus como um ser masculino.

A dança começou a adquirir o formato atual, a partir de maio de 1798, com a invasão de Napoleão Bonaparte ao Egito. Algumas sacerdotisas foram vendidas como escravas e muitas delas, eram confinadas em palácios. Essas passavam a ser denominadas Awalim eram consideradas cultas demais para a época, poetizas, instrumentistas, compositoras e cantoras, cortesãs de luxo da elite dominante. Além das Awalim, existia ainda um grande grupo de mulheres que praticavam a Raps Sharqui, nome
original da dança, formado pelo Ghawazee. As Ghawazee eram ciganas que utilizavam a dança, muitas vezes, como forma de lucro para manterem os templos a seus deuses e passavam o tempo entretendo os soldados.

Durante a ocupação muitas dançarinas fogem para o Ocidente, pois a expressão artística passa a ser reprimida por ser considerada provocante e impura. A Dança do ventre foi perdendo o aspecto sagrado que teria marcado sua origem saindo dos templos para os palácios e festas populares e passando a ser apresentada publicamente para fins de entretenimento. Nesse período conturbado de guerras e migrações a Dança do Ventre passou a ser conhecida por outros povos, que a adquiriam para a sua cultura e modificaram- na de acordo com suas crenças e desejos.

A mídia e sua influência
Durante o século XlX, o Oriente estava na moda. Com a tradução das histórias das Mil e Uma Noites. Muitos viajavam para os exóticos países e ficavam fascinados pela diversidade cultural encontrada lá.

A partir de 1920 o cinema egípcio começa a ser rodado, tendo a dança do ventre como elemento essencial em suas produções. Esses filmes eram utilizados como atrativos turísticos para os países orientais.

Samia Gamal é uma das dançarinas que participou de diversos filmes nos EUA, França e Egito. Dentre eles, destaca-se “Ali Babá e os 40 ladrões” (Ali Baba ET lês quarante voleurs, França, 1954).

Durante essa época a mídia começou a exercer uma forte influência sobre o entendimento da dança do ventre, sendo ela o principal fator para compreensão limitada dessa arte. Mediando a apropriação pelo imaginário social ocidental da imagem da dançarina como “odalisca”, transformando essa imagem em um estereótipo do feminino enquanto objeto sexual. “Um reforço do mundo eletrônico
pós- moderno é que houve um reforço dos estereótipos pelo quais o Oriente é visto. A televisão, os filmes e todos os recursos da mídia têm forçado a informação a se ajustar em moldes cada vez mais padronizados” (Said, 1999 p.58).

Um dos efeitos negativos da globalização foi a repressão à prática desta dança. Na maioria dos países a dançarina é admirada como uma artista. Entretanto, há locais que ela não é bem vista e apresentações públicas de dança são proibidas. Isto acontece nos locais onde a religião muçulmana é ortodoxa, como regiões da Arabia Saudita e Afeganistão, nos quais a mulher deve seguir regras rígidas de comportamento, sendo a ela vetado expor-se em público.

Os egípcios mais ortodoxos abominam dança do ventre profissional em seu país. As danças só acontecem em pontos turísticos (grandes hotéis cinco estrelas e barcos que transitam pelo Nilo). Fora isso, só nas zonas consideradas “impróprias”.

Onde a cultura é mais fechada, a dança faz parte do folclore, dos ritos de passagem, de festas e acontecimentos sociais e do mundo privado- doméstico das mulheres, ocasiões em que elas geralmente dançam apenas umas para as outras.

A Vulgarização na dança do ventre
Diversos fatores influem no crescimento do preconceito com a dança do ventre. Não só fatores culturais, como também falhas graves (nascidas e, por vezes, difundidas dentro do próprio mercado de dança). Infelizmente muitas mulheres ainda acreditam que sensualidade, erotismo e vulgaridade estão ligados á forma corporal, e não consegue desenvolver performances naturalmente elegantes e sensuais, tampouco trabalhar a própria sexualidade em suas idas pessoais. (KAHA, 2007 Pg 91).

Uma dança apelativa e excessivamente provocante aguça os canais mais superficiais, trazendo o explicito e o grosseiro à tona. Isso pode estimular o pior tipo de propaganda para esta arte, que, antes de mais nada, deve ser tratada com respeito. “A bailarina que faz do explicito sua arma de frente pode até ter sucesso temporário, mas não recebe do público feminino o mesmo respaldo daquela que elegantemente faz do implícito e sutil uma parte essencial de seu estilo” (Jorge Sabongi, 2014).

1 – O Traje: não pode conter exageros e a abertura da saia, deve ser sutil; nada deve ser exuberante demais, quase apelativo.

2 - A Expressão Facial: é uma questão de interpretação, de sensibilidade e principalmente carisma.

3 – O Caminhar em Cena: Os passos são leves e quase imperceptíveis.

4 – A Sutileza dos movimentos: Mesmo quando extremamente ágeis, possuem firmeza; aí reside a delicadeza da mulher, sua personalidade aflora.

5 – A Aproximação do Público: Saber determinar seus limites de aproximação e não proporcionar ciúmes gratuitamente ao público.

6 – A Maquiagem: Nunca deve ser carregada, exceto quando espetáculo de palco e a distância turva a vista da platéia.

7 – O Nível Técnico: Deve estar associado a sutileza e a alma que se expõe ao dançar.

8 – As Palavras que Expressa: Existe um ditado árabe que define bem, em poucas palavras: “Depois que as palavras saem de sua boca, elas não são mais suas...”.

9 – O Olhar: Deve ser mais etéreo do que provocador. Nunca insinuando.

10 – O Comportamento de Bastidores: Aqui você põe a prova seus princípios, seu nível e seu bom senso.

A dança do ventre não se expressa somente sedução. Existem outros sentimentos como a pureza, delicadeza, suavidade, a tristeza, alegria e diversão. Além da leitura musical na diversidade instrumental.

Conclusão
O preconceito com a Dança do Ventre talvez não possa ser totalmente erradicado, mas a base para sua diminuição está na informação. É importante que bailarinas e professoras de dança do ventre no mundo inteiro apresente danças típicas e clássicas, trazendo dessa forma para o conhecimento do público leigo suas diversas manifestações, que estude cada vez mais os seus aspectos históricos os instrumentos utilizados e acessórios de acordo com as tradições e ritmos, as danças folclóricas de cada região, as inovações, bem como as fusões e transformações desta dança, e também informando sobre a história da dança árabe, seu passado sagrado e os benefícios para a saúde.

Cabe aos profissionais da área zelar pelo seu conceito, mantendo assim os padrões de elegância que a envolvem e não permitindo a sua vulgarização. Devemos transmitir ao público sentimento e respeito por essa arte para refletir numa reação positiva que seja extensiva a todas as praticamente da Dança do Ventre.

Referencias
BENCARDINI, P. Dança do ventre: ciência e arte. São: Textonovo, 2002;
GARAUDY, R. Dançar a vida. 6.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
MOHAMED, S. Ladanza mágica Del vientre. 1 ed. Madrid: Mandala, 1995.
PORTINARI, Maribel. História da Dana. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1989.
SAID, Edward. Orientalismo. SP. Cia das letras, 1990.
SHARKEY, S. S. Resgatando a feminilidade: expressão e consciência corporal pela
dança do ventre. 2. Ed. São Paulo: Scortecci, 2002.
THALEB, Amir. La milenária Dnaza Del Vientre: El lenguaje oculto. Buenos Aires. 2003.
XAVIER, Cínthia N. ...5,6,7,8...Do oito ao infinito: por uma dança sem ventre
performática, híbrida, impertinente. 130 f. Dissertação de mestrado Artes – Instituto
em Artes, Universidade de Brasília, Brasília, 2006.

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