terça-feira, 15 de outubro de 2019

Estudando a Musica Árabe 6 - Enta Omri

Traga seus olhos para perto 
então meus olhos 
podem se perder na vida de seus olhos.
Traga suas mãos 
então minhas mãos vão repousar nas suas

A música que vamos estudar hoje é Enta Omri, na voz do maior músico árabe residente no Brasil Tony Mouzayek.  Mais uma composição de Mohamed Abdel Wehab, fazendo estes textos percebi que este é meu compositor Árabe preferido e ainda não tinha me dado conta disto.

Para quem ainda não viu a biografia dele clique aqui para ler a ótima pesquisa realizada por Izaura Nunes para a conclusão do Módulo de Musicalidade do Curso de Formação em Dança do Ventre oferecido aqui no FIDES.

Se quer mais informações sobre este Curso de Formação em Dança do Ventre  clique aqui neste outro link.: www.priscilagenaro.com.br

Esta composição é um clássico da música árabe e sua estrutura  simples possibilita ao cantor fazer uso de sua habilidade vocal. Umas das principais características da músicas árabe é a tradicional variação da voz em diversos tons e microtons o que causa uma certa estranheza para quem não está familiarizado. Para mim é o que dá a magia oriental à melodia. 

Originalmente foi interpretada na voz de Oum Kalthoum celebre interprete egípcia. Mas como já falei a versão estudada é na voz de Tony Mouzayek




Analise da musica Enta Omri

Tempo: 4/4
Forma: Rapsódia
Textura principal: qanum, violino, guitarra, teclado, derbak, tabla, pandeiro, vocal.
Modo Rítmico: Sama'i Thaqil, Said e Maqsun.

Características marcantes da música Enta Omri

A simplicidade em sua estrutura é o que a deixa tão linda e gostosa de dançar, pois repete muitas vezes a mesma sequencia com variações na textura que a deixa dinâmica, eu tenho a impressão de ouvir três musicas independentes o que caracteriza a rapsódia. Embora a letra segue uma sequência lógica.

A primeira parte é uma música completa com introdução, partes A, B e coda. Eu já coreografei com alunas somente esta parte que é linda, suave e com uma percussão marcante, ótimo para alunas iniciantes ou quando quer fazer uma dança mais introspectiva.  Este trecho vai até o minuto 3:11.

Depois começa a segunda parte entra a voz de Tony Mouzayek com um acompanhamento belíssimo de cordas que mais parece a "introdução" da segunda parte. Só então entra toda banda preenchendo a música, onde ocorre uma diminuição da melodia que dá a impressão que a música fica mais rápida. Mas o tempo continua em 4/4. Ao dançar é importante não sair "correndo" neste momento, a sensação de aceleração se expressa no corpo com tremidos mais intensos.

A terceira parte inicia no tempo 5:38, esta parte é mais animada um cadenciado mais solto, aqui é o momento que gosto de interagir com o público, sinto esta liberdade.

Ao final ele volta a segunda parte para finalizar, quando coreografo repito os movimentos que realizei, porém com outra dinâmica. Num improviso nem sempre tenho essa clareza devido a emoção do momento.

A primeira bailarina a dançar as músicas cantadas por Om Kalthoum foi Saheir Zaki, sua dança é delicada é precisa  exatamente o que Enta Omri pede. Se percebermos a textura dela não possibilita grandes giros e movimentações amplas, mas movimentos suaves e bem marcados. Embora  apresenta partes independentes, as partes se comunicam pelo andamento da letra. A condução melódica automaticamente induz o corpo a se movimentar de forma sinuosa numa dança bem tradicional.

Em outras postagem futuras falarei das personalidades citadas aqui. Abaixo segue um trecho dos meus estudos práticos:


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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Estudando a Música Árabe 5 - Humor e Sabor na Música

"Acho que a verdadeira expressão da música absoluta tem de ser
 encontrada no mundo do som e nas relações sonoras"
Daniel  Barenboim

Na música utilizamos das expressões sabor e humor para determinar as impressões que sentimos ao ouvir o som de um instrumento.

Por exemplo: que sensações você tem ao ouvir o som do violino, que impressões ele te causa, se alguém lhe perguntasse como é o som do violino. Como você o descreveria?

Agora pense no som do piano.Quais sensações e impressões ele lhe causa? 
São as mesmas que a do violino?

Ao ouvir uma orquestra quais sons ficam mais em evidencia, que sons ficam escondidos quase imperceptíveis, mas são fundamentais na composição?

São estas impressões que chamamos de humor ou sabor. São elas que na Dança do Ventre determinam que caminho a composição coreográfica irá tomar.

Ao ouvir um som vibrante de um acordeom é quase inevitável fazer shime, mas alguns instrumentos a qualidade do humor é mais sutil. Ainda mais quando o instrumento está inserido numa orquestra ou conjunto musical. 

Numa orquestra onde vários instrumentos tocam juntos, este humor está representado nos conjuntos: cordas, sopro, metais madeiras, percussão e outros.

O mesmo acontece na orquestra árabe onde encontramos o alaúde, quanun, rebabe, nai, mijwiz, mizmah, derbak e os diversos tipos de pandeiro e outros instrumentos percussivos.

Cada instrumento possui seu humor e sabor próprio, ao passo que os conjuntos também produzem sabores e humores diferentes do instrumento sozinho, tudo isso junto irão determinar a condução da dança. 

Sons ondulantes movimentos ondulantes, sons vibrantes movimentos vibrantes, sons fortes, intensos, crescentes ou de impacto pedem movimentos da mesma natureza.

O comum para quem está iniciando é passar direto como se toda a musica fosse uma única onda, mas quando separamos cada instrumento e percebemos seu som, sua massa, seu humor e sabor a dança ganha vida, expressão e riqueza de detalhes.

Isso parece meio obvio, mas na prática o obvio geralmente não acontece. Assim o estudo prático e o treino constante é necessário.

Segue um link onde explico como pegar o Sack da música, estou um pouco nervosa no vídeo (gravar não é fácil rs) e contei errado o tempo, mas a explicação do sack é valida:



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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Estudo da Música Árabe 4 - Amar 14

"Incorporar o som, em vez de deixa-lo"
Edward Said em Paralelos e Paradoxos p. 99

Como já foi dito em outras postagens neste blog, dançar é transformar o som em imagens e emoções, e isso requer estudo e treino.

Assim sempre proponho aqui nas aulas de Dança do Ventre que ministro no FIDES o estudo de alguma música, identificamos as diversas camadas melódicas e rítmicas, sua textura, tempo e forma. O que facilita na hora de elaborar uma coreografia ou dançar num improviso.

Na live que fiz para o Projeto Happy Hour de Dança do Ventre, que este ano está acontecendo exclusivamente pelo Instagram   às 20 horas todas as sextas-feiras, falei sobre a música Amar 14.

Uma música que tem uma estrutura simples, mas ao mesmo tempo difícil de dançar.  Amar 14 está no álbum "A essência do Rask Sharki organizado pela bailarina Jalilah com o músico Mokhtar Al Said e o Derbakista Khamis Henrish, algumas composições do álbum são de própria autoria e outras de diversos compositores como a Amar 14 que foi composta por Mohamed Abdel Wahab, renomado compositor egípcio. 

Segue o link do spotify do álbum desta versão estudada: link no spotify  
E o link do deezer da versão original de Mohamed Abdel Wahab:

As duas versões são excelentes pra dançar e treinar as percepções das texturas e as diversas possibilidades de humor na interpretação e composição coreográfica.

Analise da música Amar 14:

Tempo: 4/4
Forma: AB
Textura: Orquestra Árabe completa
Modo Rítmico: Maqsum, Masmud Sahir, Malfuf

Características marcantes da música Amar 14:

A introdução desta música se divide em 4 partes, uma primeira parte lenta bem tradicional, já a segunda apresenta as características de um taksim, mas só é possível ter certeza se pegarmos a partitura ou assistirmos ao vivo, estas 2 partes eu chamo de apresentação dos músicos. Só na  terceira que vem a chamada da bailarina, depois disto entra uma escala suave que vejo como a introdução da música em si. 

Este começo é bem rico e apesar da chamada da bailarina ser bem marcante, eu gosto de entrar antes para dançar o Taksim. É um gosto pessoal que me permito, se eu dançar em um concurso talvez não faça assim, pois um jurado pode achar que não identifiquei a chamada.

Quando a música começa é difícil perceber o modo rítmico devido ao grande preenchimento da percussão, mas o sack está bem perceptível o que facilita na hora de marcar as passagens. Embora a melodia é suave a base percussiva é intensa o que pede uma movimentação igualmente intensa de quadril, porém não dá pra ignorar a melodia que se repete ao londo de toda música. O que dificulta o trabalho de bailarinos iniciantes, mas vale a pena treinar e pegar estas variações tão diferentes.

O primeiro tema melódico aparece no começo e no meio e o segundo se repete com diversas texturas, inclusive no derbak, que não está improvisando está repetindo a melodia, embora ele não é um instrumento melódico, o que deixa esta música mais fascinante.

No texto anterior dou umas dicas de como estudar uma música, que vale para esta também.  Só clicar aqui para ler

Agora você deve estar me perguntando:Eu preciso perceber tudo isso para poder dançar?

Sim e não!

Sim, se deseja realizar uma dança rica e diversificada. Se quer ter seu próprio estilo e ser autentico no palco e ter plena consciência do que está fazendo.

Não, se quer apenas curtir o momento ou dançar igual sua bailarina preferida, aí é só imitá-la.

Enfim, dançar não requer nada, apenas o desejo. Mas ser profissional requer muito estudo, como diz Roger Garaudy o bailarino deve ser detentor de uma grande cultura.

Segue o vídeo de um dos meus momentos de estudo prático:



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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Estudo da Musica Árabe 3 - Por uma Dança Natural e Criativa


A maior dificuldade de quem está iniciando o aprendizado da Dança do Ventre é como encaixar os movimentos na música.

Acredito que ao aprender a Dançar o bailarino ou bailarina realiza três habilidades distintas:

  1. As técnicas e dinâmicas da movimentação que caracterizam a Dança; 
  2. A capacidade de ouvir e distinguir as diversas camadas sonoras das músicas;
  3. O desenvolvimento da psicomotricidade capaz de representar o som percebido à movimentação aprendida.
Estas três habilidades resultam na Dança natural e criativa que adoramos assistir.

Mas como desenvolver estas habilidades?

O Primeiro passo é treinar sistematicamente os movimentos, ao ponto deles se tornarem naturais como passear no parque.

O segundo passo é ouvir a música árabe de forma a perceber os sons de cada instrumento, as diversas intensidades e o tempo de cada som. 

Depois deste momento podemos começar a "encaixar" os movimentos nos diversos sons percebidos, no começo fica algo neurótico e exaustivo, pois surge o desejo de realizar no corpo tudo o que aprendeu a ouvir, mas nem sempre isso é possível por ainda não ter desenvolvido a técnica do movimento ou falta de treino, as vezes por ser possível fazê-lo devido a velocidade da música ou textura extremamente rica.

Mas o importante para quem está começando é perceber que aquele som existe, que poderá ser representado ou ignorado. Sim, o bailarino pode escolher o que quer representar, porém isso deve ser uma decisão e não a unica opção.

Ao executar uma coreografia previamente elaborada ou de improviso, o bailarino deve estar consciente da sua escolha, o que vai representar na música, isto resultará na emoção a ser passada para o público,irá definir a sua expressão e intensão.

Como sugestão deixo uma dica:
Ouça a música e identifique os instrumentos, dance-a várias vezes, uma vez dance para cada um dos instrumento identificados, só o violino ou só alaude, primeiro o que for mais marcante depois os menos marcante como um  pandeiro por exemplo. Se for difícil isolar um único instrumento dance conjuntos, as cordas ou os instrumentos de sopro ou conjunto percussivo. O importante que se dance cada camada sonora isoladamente e só depois dance toda composição musical.

Assim fica mais fácil de marcar cada passagem em suas diversas intensidades.

Estudar Dança ou qualquer outra Arte é uma tarefa de amor e dedicação. Como cultivar um jardim, todo dia precisa ser recado.



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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

O professor que aprende - A arte de ensinar Dança

É incrível como no palco somos todos iguais.O frio na barriga, a tensão, a euforia, a alegria da realização e de receber os aplausos. No palco somos todos estrelas cintilantes no céu do fazer arte.

No último dia 18 de agosto aconteceu o Festival de Aniversário  do FIDES, e passei estes dias vendo as fotos e os vídeos para compartilhar e principalmente ver como foi o Festival, pois nós que estamos dentro não conseguimos ver como na realidade tudo aconteceu. 

Sou profissional em Dança do Ventre, mas nas outras modalidades que pratico sou aluna e me ver no palco como aluna é muito interessante, perceber meus erros e ver o que preciso melhorar me fortalece como professora, me aproxima das aflições dos alunos em colocar a cara a tapa e subir no palco sentindo-se seguro ou não.

Vejo meus erros primários, ouço a voz da professora Gabriela me corrigindo e penso como é dolorido para o aluno se ver errando algo que ele fez mil vezes. Já passou pela minha cabeça em não dançar as outras danças que ainda não domino, mas o palco me chama... E penso como amenizar esta situação, como impedir que o aluno desista por achar que tem dificuldades.

No livro "Obesidade e Fatores Associados" oferecido pelo CREF ( Conselho Regional de Educação Física) aqui de São Paulo coloca que os fatores psicológicos e emocionais fazem parte das principais  causas das pessoas abandonarem as atividades físicas, mesmo sabendo de todos os benefícios que a permanência lhe proporciona.

Assim cabe ao profissional, buscar estratégias positivas, momentos de satisfação e objetivos realistas porém numa perspectiva de evolução e progresso contante, que possam ser mensuráveis pelo aluno.

Eu ainda penso que no caso da Dança o professor, além destas estratégias, deve ser o motivador, a mola motriz para que o aluno sinta-se capaz e feliz em realizar sua Dança. Ser o apaziguador de possíveis conflitos, disputas e momentos de insegurança.

O professor de Dança é o elo que uni todos os alunos de uma ou mais turmas, mas não pode ser a corrente que puxa o aluno para a realização, nem a corrente que amarra, que não acredita na capacidade de quem ainda está aprendendo. 

Quem ensina a  Dança deve ser a base segura e forte, que apoia, incentiva, corrige, orienta, faz o aluno ser o que ele quer ser, do jeito que quiser, com autonomia e consciência da arte que realiza.

Saber olhar para o aluno ansioso e dizer "calma ainda não",  e também saber olhar para aquele que tem medo e dizer "vai você consegue".

Os espetáculos das escolas de Dança, são os melhores lugares para errar e refazer, para se perceber como aprendente e buscar as melhorias. 

Eu percebo que a cada espetáculo os alunos estão melhores, autônomos e verdadeiros, me sinto realizada como professora.

E eu enquanto aluna me vejo melhor, consigo ver meu progresso e vejo o quanto tenho que melhorar e sou grata pela professora que tenho. 

Dançar é colocar sua alma a frente de sua razão. E isto é muito difícil.

Grata queridos alunos por me fazer pensar sobre isso.
Grata professora Gabriela Braz por me fazer praticar isso.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Dança do Ventre a Arte da Emoção

"Para que uma obra de arte seja realmente bela, é preciso que nela o autor se esqueça de si mesmo e me permita esquecê-lo."  François Fénelon 
Começo este texto com esta frase do Teólogo e poeta francês do século XVII, acredito que ela sintetiza o que é dançar, um momento de total entrega e êxtase que contagia quem assiste.Em uma ocasião onde meu professor de Yoga explicava o que era meditação, lhe falei que vivia aquilo enquanto dançava, ele me respondeu  "então você medida ao dançar".E a dança do ventre surgiu assim em minha vida, um momento de auto esquecimento,  um bálsamo, um alivio num momento de muito conflito. Na aula por muitas vezes me esquecia das colegas, da professora e fica em meu mundo sentindo meu corpo, eu e ele num namoro cheio de diálogo convidativos e carícias internas. Nos explorávamos  com cuidado, não sabia até onde meu corpo poderia suportar aquela movimentação nova. Meu corpo expandia a minha mente como um amigo que chega com boas novas.Minha mente aprendeu a aceitar meu corpo e meu corpo aprendeu o que a mente lhe dizia. E os dois foram assim ao longo de mais de duas décadas buscado um  ponto em comum.Hoje este ponto é minha Dança, que escrevo em letra maiúscula porque ela Me representa e Eu sou Única.A Dança do Ventre possui essa magia, o poder de fazer com que nos encontremos, sejamos nós mesmo em corpo e alma em movimentos que representam nossas emoções e intenções.O ato de dançar exige entrega e esquecimento, o bailarino se esquece em movimento de tal forma que contagia o público num diálogo mental que transcende a razão. Num instantes todos estão sorrindo ou chorando sem saber o motivo num contágio crescente, súbito e inesperado, não mais existe bailarino, nem dança, nem música, somente a emoção vivida.Assim é a Arte, a Dança e Vida. 


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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Anatomia do movimento da Dança do Ventre ´por Natacha Ayme

Trabalho de realizado por Natacha Ayme para a conclusão do Módulo Anatomia Aplicada a Dança do Ventre do Curso de Formação e Capacitação em Dança do Ventre oferecido por FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde ministrado por Andre Genaro sob coordenação de Priscila Genaro



Adicionar legenda


Anatomia do movimento da dança do ventre

Introdução
A ciência tenta por várias décadas desvendar os mistérios do corpo humano, utilizando da anatomia para explicar a estrutura do organismo humano, tendo em vista que esta divide o corpo em várias partes.
No presente caso, vamos estudar sobre o sistema articular e muscular, para entender quais articulações e músculos são utilizados quando realizamos os movimentos de dança do ventre.

Resumo
O presente trabalho tem como objeto descrever sobre a anatomia do movimento na dança do ventre, a sua origem, quais articulações e quais músculos são utilizados para realizar os movimentos básicos desta arte.


Conceito de Anatomia

Anatomia é uma ciência que estuda a estrutura física dos seres vivos. Os órgãos internos e externos, suas interações, funcionamento, localização e disposição.

A palavra Anatomia foi primeiramente usada por Aristóteles, e vem do grego anatome, sendo que “ana” quer dizer “através de” e “tome” significa “corte”.

Conceito de Anatomia humana

A Anatomia humana tem como foco o estudo do corpo humano, sendo considerada uma das ciências básicas da Medicina. 

Segundo Jean Cruveilhier (1791-1874) “Pode-se ser grande anatomista sem ser médico ou cirurgião, mas não se pode ser médico ou cirurgião sem ser anatomista” Importante frisar que, são imprescindíveis para o profissional da área de saúde saber sobre anatomia, tendo em vista que vai lidar constantemente com o corpo humano.

Artrologia

A artrologia seria a modalidade que da anatomia que estuda o sistema de articulações do corpo humano, que tem como função unir os ossos. 

Movimentos articulares:

Os movimentos das articulações podem ser divididos em: extensão, flexão, abdução, circundução e rotação.
Esses movimentos em conjunto possibilitam uma infinidade de movimentos às articulações.

Planos

Os movimentos articulares são executados respeitando plano e eixos a seguir:

1. Plano Sagital.
2. Plano frontal
3. Transversal

Plano Sagital: o plano sagital divide o corpo humano em lado direito e esquerdo, neste plano ocorrendo os movimentos flexão e extensões partindo da posição anatômica.

Plano frontal: o plano frontal dividi o corpo humano em lado entre anterior e posterior, ocorrendo os movimentos de adução, abdução e inclinações laterais partindo da posição anatômica.

Plano transversal ou horizontal: o plano transversal divide o corpo em partes superior e inferior, neste plano ocorrem os movimentos de rotações partindo da posição anatômica.

Eixos

Os eixos são linhas imaginárias que atravessam os planos do corpo perpendicularmente para possibilitar movimentos. Lembrando que estes planos e eixos serão sempre aplicados nas partes do corpo humano que permitem graus de movimentos amplos (articulações diartrose).

Eixo Látero -Lateral: estende-se de um lado ao outro, tanto da direita para esquerda quanto o inverso, perpendicular ao plano sagital. Esse eixo do possibilita os movimentos de flexão e extensão. Ex.: Articulação do ombro, do cotovelo.

Eixo Ântero-Posterior: estende-se em sentido anterior para posterior, perpendicular ao plano frontal. Esse eixo possibilita os movimentos de abdução e adução. Ex.: Articulação do ombro, do quadril.

Eixo Longitudinal: estende-se de cima para baixo (ou vice e versa), perpendicular ao plano transversal. Esse eixo possibilita os movimentos 
de rotação lateral e rotação medial. Ex.: Articulação do ombro, do cotovelo.

Modalidades dos movimentos articulares.

Abdução: Movimento que afasta a estrutura anatômica da linha média. Um exemplo simples seria o ato de elevar os braços lateralmente, distanciando-o do tronco.

Adução: Movimento contrario à abdução, ou seja, consiste em aproximar a estrutura anatômica da linha média.

Rotação: Movimento que o osso faz ao girar em torno de um único eixo, sem se mover em nenhum outro. Pode ser lateral, quando a rotação tem sentido de afastar-se da linha média. E pode ser medial, quando a rotação sentido à linha média.

Circundução: É a combinação dos movimentos de flexão, extensão, abdução e adução.

Flexão: Movimento que diminui o ângulo entre as estruturas que compõem a articulação. Um exemplo bem característico é a flexão do antebraço no cotovelo, movimento que diminui o ângulo entre o braço e o antebraço.

Extensão: Movimento que aumenta o ângulo entre as estruturas que compõem a articulação. Um exemplo para esse movimento seria o ato de “estender” o joelho, aumentando o ângulo entre o fêmur e a tíbia.

Pronação e Supinação: É um tipo especializado de rotação que ocorre nas mãos. Supinação é a rotação que põem as mãos em posição de súplica, palmas voltadas superiormente. Pronação é a rotação que põem as mãos em posição de benção, palmas voltadas inferiormente.

Principais movimentos do corpo humano 

Movimentos da coluna cervical

Os movimentos executados pela coluna cervical são: hipertensão, flexão, rotação lateral e inclinação.

Movimentos da cintura escapular

Os movimentos executados pela cintura escapular são: elevação, depressão, abdução e adução.

Movimentos da escapula

Os movimentos executados pela escapula são: elevação, depressão, retração, protusão, rotação lateral e rotação medial.

Movimentos do ombro

Os movimentos executados pelo ombro são: flexão, extensão, rotação lateral, rotação medial, abdução, adução e circundução.

Movimentos do Cotovelo

Os movimentos executados pelo ombro são: flexão, extensão, pronação e supinação.

Movimentos do punho

Os movimentos executados pelo punho são: flexão palmar, dorsiflexão, desvio radial, desvio ulnar e circundução.

Movimentos da coluna

Os movimentos executados pela coluna são: flexão, extensão, rotação e
inclinação.

Movimentos do quadril

Os movimentos executados pelo quadril são: flexão, extensão, adução, abdução, rotação medial e rotação lateral.

Movimentos do tornozelo

Os movimentos executado pelo tornozelo são: flexão, plantar dorsiflexão eversão e inversão.

Músculos

Movimentação do corpo humano

Os músculos tem como principal função movimentar o corpo humano, tarefa executada pelas músculos esqueléticos em conjunto com os ossos e articulações.

Estabilização corporal

Os músculos possibilitam que o corpo humano fiquem nas posições básicas do dia a dia como, por exemplo, sentar, ficar em pé, cruzar as pernas e etc...

Essa posições somente são possíveis, porque os músculos se contraem ou relaxam estabilizando o corpo, agindo como verdadeiros elásticos, impedindo alguns movimentos das articulações.
Por exemplo: os músculos do jarrete (músculos posteriores da coxa) previnem a completa flexão do quadril, a não ser que o joelho se flexione, quando ele aproxima as fixações musculares e possibilita um maior grau de flexão do quadril.

Músculos utilizados na movimentação dos ombros

Flexão Porção clavicular do Deltoide, porção clavicular do Peitoral Maior e Coracobraquial.
Extensão Porção escapular do Deltoide e Grande Dorsal.
Abdução Porção acromial do Deltoide e Supra-espinhal
Adução Peitoral Maior, Grande Dorsal e Redondo Maior.
Rotação Lateral Infra-espinhal e Redondo Menor.
Rotação Medial Subescapular e Redondo Maior.

Principais Movimento na Dança do Ventre
1. Básico egípcio;
2. Oito;
3. Camelo;
4. Zero médio encaixado;
5. Zerinho desencaixado;
6. Zerão;
7. Zero de peito;
8. Oito Maia
9. Shimie de joelho
10. Shimie tensão
11. Encaixe e desencaixe
12. Hagalla

Analise dos movimentos básicos da dança do ventre:

A modalidade de dança do ventre se utiliza dos sistemas articulares e musculares para realizar os movimentos a seguir:

1. Básico Egípcio: pequeno afastamento anterior posterior dos pés, o pé na frente em flexão plantar (meia ponta), movimento extensão do joelho e flexão lateral da coluna lombar.
a. Músculo da coluna: reto do abdome,
b. Músculo do joelho: quadríceps femoral
c. Músculo do tornozelo: gastrocnêmios

2. Oito: rotação alternada de quadril e coluna
a. Músculo do quadril e Músculo da Coluna:
b. Rotação do quadril: Iliopsoas
c. Rotação da Coluna: Reto do abdome

3. Camelo: flexão e extensão da coluna lombar
a. Músculos da coluna:
b. Flexão: reto do abdome, oblíquo externo, oblíquo interno e psoas maio.
c. Extensão: oblíquo externo, oblíquo interno, quadrado lombar e paravertebrais

4. Zero médio encaixado/. Movimento de circundução da coluna torácica e lombar
a. Músculo da coluna torácica e músculo da coluna lombar:
b. Circundução da coluna torácica: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais. 
c. Circundução da coluna lombar: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais.

5. Zerinho: movimento de circundução da coluna lombar
a. Músculo da coluna lombar:
b. Circundução da coluna lombar: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais

6. Zerão: rotação de quadril
a. Músculo do quadril:
b. Rotação interna: tensor da fáscia lata, glúteo médio, glúteo mínimo, adutor longo e adutor curto.
c. Rotação externo: Iliopsoas, sartório, glúteo Max, glúteo médio, adutor magno.

7. Zero peito: rotação da coluna torácica
a. Músculos da coluna torácica:
b. Rotação: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais

8. Maia: Flexão e extensão da coluna lombar
a. Músculo da coluna lombar:
b. Flexão da coluna lombar: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais.
c. Extensão da coluna lombar: Oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais

9. Shimie: Flexão e extensão alternada dos joelhos
a. Músculos dos joelhos:
b. Flexão dos joelhos: bíceps femoral, semi – tendinoso, semi – membranáceo. Poplíteo.
c. Extensão dos joelhos: quadríceps femoral

10. Shimie Tensão: Tensão sem movimento

11. Encaixa e desencaixa: Retroversão e ante versão do quadril
a. Músculos do quadril:
b. Retroversão do quadril: reto do abdome, oblíquo externo, isquiotibiais e glúteo maior.
c. Ante versão do quadril: o iliopsoas, o eretor da coluna e o reto femoral.

12. Khagalla: Flexão e extensão da coluna lombar
a. Músculos da Coluna lombar:
b. Flexão da coluna lombar: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais
c. Extensão da coluna lombar: oblíquo externo, oblíquo interno, paravertebrais.

Coreografia

1° SEQUÊNCIA:
Posição inicial, abdução e flexão dos membros superiores no ângulo 90 graus no plano frontal, pequeno afastamento anterior
posterior dos pés, ambos os pés em flexão plantar (meia ponta), rotação lateral do quadril.

Movimento caminhando para a frente realizado flexão e extensão da colunar lombar, rotação da coluna, bem como extensão do quadril de forma alternada. (Caminhando para frente com camelo para frente de forma alternada)

2° SEQUENCIA
Posição inicial: Abdução do ombro esquerdo em ângulo de 170 graus e adução do ombro direito em ângulo de 30° graus e abdução do quadril do lado direito na posição frontal.

Movimento: adução do quadril, rotação de eixo para o lado direito, abdução do ombro direito em ângulo de 170 graus e adução do ombro esquerdo em ângulo de 30°graus e abdução do quadril do lado esquerdo e rotação do eixo para o lado esquerdo. (Véu na frente de corpo com giro em torno do eixo de forma alternada)

1 – Posição inicial: flexão dos membros superiores em ângulo 90 graus no plano sagital e junção dos pés no plano frontal.
Movimento: adução dos membros superiores no plano o transversal cruzando os braços e circundução dos membros superiores de forma alternada. (Cruzar os braços e descruzar os braços jogando o véu para o lado direito com distanciando e junção das penas de forma alternada)

2- Posição inicial: pés em posição anatômica e braços no ângulo 45 graus no posição frontal. Movimento: adução do quadril por completo cruzando as pernas, inclinação da coluna ara a direita e rotação da coluna na plano frontal no ângulo de 360 graus. (cruzar as pernas, girar a coluna no plano frontal com os braços aberto no ângulo de 90 gruas)

3-Posição inicial: pequeno afastamento anterior posterior dos pés, pé da frente em flexão plantar (meia ponta).

Movimento: pequena flexão da coluna com rotação lateral dos membros superiores e Extensão da coluna com pequena extensão da coluna ambos no plano sagital. (Jogar o véu para frente com pequena flexão da coluna e jogar o véu para atrás que pequena extensão da coluna)

“Movimento inteiro: Cruzar os braços e descruzar os braços jogando o véu para o lado direito com distanciando e junção das penas de forma alternada, girar a coluna no plano frontal, extensão da coluna no ângulo de 160 graus com rotação lateral do ombro”

4° SEQUENCIA
Posição Inicial: pequeno afastamento anterior posterior dos pés na posição sagital, o pé na frente em flexão plantar (meia ponta), braços no ângulo de 45 graus na posição frontal.

Movimento: caminhando para atrás realizado extensão do quadril e flexão do joelho de forma alternada com flexão e extensão da colunar lombar na posição, (caminhado para atrás realizado camelo jogando o véu para frente e para atrás)

5° SEQUENCIA
Posição inicial: pequeno afastamento anterior posterior dos pés na posição sagital, o pé na frente, braços esquerdo no ângulo de 180 graus e direito no ângulo de 45 graus na posição frontal.

Movimento: circundução lateral dos membros posteriores em conjunto com a circundução lateral do quadril com flexão e extensão do joelhos de forma alternada (movimento da básico egípcio com zerinho lateral com shimie e o véu girando em volta do corpo)

Conclusão
A intenção desse trabalho visa demonstrar que os movimentos praticados na dança do ventre seguem determinados planos e eixos, utilizando-se determinadas articulações e músculos.

Ademais, visa esclarecer que para cada movimento existe um termo técnico anatômico. Por fim, as informações apresentadas visam também a ajudar aqueles que praticam e ensinam a modalidade de dança do ventre a evitar lesões, bem como respeitar o limite do corpo.

Referencias
HTTP://cinesiologiaemfisioerapia.blosport.com.br/2011/08/conceitosbasicos.html
HTTP://muslacaobiovida.blogsport.com.br/2016/07/anatomia-muscular-ombromaguitorotador.html
HTTP://pt.slideshare.net/alannamello/complexp-do-ombro
HTTP://yogapelapaz.blogsport.com.br/2011/02/anteversao-e-retroversao-da-pelvis.html


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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Plano de aula de Dança do Ventre para Crianças por Jusci Santos

Trabalho de realizado por Jusci Santos para a conclusão do Módulo Didática Aplicada a Dança do Ventre do Curso de Formação e Capacitação em Dança do Ventre oferecido por FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde sob coordenação de Priscila Genaro




Jusci Santos  e FIDES Cultural
Plano de aula de Dança do Ventre para Crianças

Tema: Khaligge

Publico: Infantil (de 5 a 10 anos)

Objetivo Geral:

Desenvolver a musicalidade e a expressão corporal.

Objetivos específicos:

- Conhecer os aspectos Históricos da dança Khallige.
- Aprender os passos característicos a esse tipo de dança.
- Trabalhar a criatividade, sensibilidade, musicalidade, socialização e melhorar a coordenação motora.

Justificativa:

dança é um instrumento importância para desenvolvimento das crianças, ela desenvolve a criatividade, a percepção corporal, a musicalidade indo além do ritmo, faz com que a criança compreenda e relacione a melodia, as vozes, os sons dos instrumentos e transmita estas percepções por meios de movimentos dançantes.
Através da dança a criança aprende noções de espaço, sequencia, autenticidade, imaginação, padronização e conscientização do próprio corpo.
Ajuda a criança a explorar os seus sentimentos, promovendo também a socialização. A criança ao estudar outras formas de dança que se originam em outros países também adquire conhecimento histórico de outras culturas.
Ensinar a arte da dança do ventre de forma lúdica e educativa, vai além do passo de dança mas a transformação dessa experiência em algo que contribua para o seu desenvolvimento como pessoa e na construção dos seus sonhos e ideais. Faz com a criança se desenvolve com um olhar mais reflexivo e flexível em relação ao outro.


Jusci Santos Khaleege em FIDES Cultural
Plano de aula – Dança do ventre

A dança Khaleege

O Khaleege é uma dança popular árabe.
Quando falamos de dança popular ou típica, quer dizer que esta dança tem movimentos, ritmo, trajes, um conjunto de elementos e costumes que são tradicionais de um determinado povo ou grupo.
Em árabe, Khaleege ou khaliji significa relativo ao Golfo. Pronuncia-se Raligi. Está relacionado ao estilo e as característico da região do Golfo Pérsico, hoje Península Arábica (Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes, Kuwait, Omã e Catar).
Suas raízes estão ligadas ao cotidiano de trabalhadores que atuavam com as pescas e a extração de pérola, atividades tradicionais do Golfo Pérsico. Por isso alguns movimentos da dança khaliji têm relação com o amor.
No oriente, é chamada dança dos desertos, já que os nômades são dançarinos tradicionais. A dança Khaliji nasceu de rituais e se difundiu através de tradições familiares.
A Khaleege é uma dança tradicional de confraternização. Até hoje, é uma dança que se encontra muito mais durante momentos familiares festivos, como casamentos e reuniões comemorativas. A dança é executada em grupos ou em pares e é em sua maior parte, improvisada.
As mulheres dançam vestidas com suas longas túnicas de corte geométrico e ricamente bordadas, dançam movendo e cabeça, mexendo os cabelos e marcando o ritmo com os pés.

O figurino
É dançada com um vestido (túnica) de tecido fino, todo bordado por cima da roupa normal ou da roupa de dança do ventre. A túnica é chamada de Galabya.
As roupas típicas tradicionais muito largas, longas e ricamente bordadas. Este vestido tradicional teve originalmente variações regionais, entretanto-o uso difundido da máquina de costura nos últimos trinta anos e a modernização e a urbanização da Península Arábica resultaram no tobe (baba, caftan, toga, vestido, capa, galabya) ou thawb nashal, originalmente usado no Najd ou Arábia Central, transformando-se depois no traje tradicional das mulheres ao longo da área do Golfo.

Ritmo
Jusci Santos, Priscila Genaro em FIDES Cultural
O ritmo mais usado é o soudi/saudi ou saudista, no lêmen o ritmo soudi é chamado de Adany e no Kuwait é chamado de Samri no qual seu ritmo é lento e realizado de maneira mais vagarosa. Todos esses ritmos são chamados de ritmo khaliji. O ritmo segue a estrutura 2/4: DUM TAKATA, variando conforme a aceleração da música.

Saudi/Khaleegy (compasso 2/4)
Exercício de Ritmo: Propor que as crianças acompanhem o tempo da célula rítmica com palmas.

Alongamento:

1. Exercícios de respiração: Encher bem o pulmão de ar e ir soltando o ar pela boca bem devagar.
2. Espreguiçar: Soltar o corpo, estender os braços acima e para os lados.
3. Alongamento da musculatura posterior: Na posição sentado, flexão do quadril, aproximando as mãos até os pés e a cabeça até os joelhos.
4. Borboletinha: Aquecimento da articulação da junção ilíaco femoral.
5. Aquecimento de punhos e mão: flexão e extensão dos punhos
6. Relaxar o ombros: Levando os ombros para trás e para frente.
7. Relaxar o pescoço: Para os lados frente e trás movimentos circulares.
8. Levantar: Agachamento com afastamento lateral dos pés e joelhos levantar primeiro o quadril e por ultimo o corpo.
9. Formar um coração em dupla: inclinação lateral em dupla.
10. Alongar a coluna: Extensão da coluna. Formar uma roda e para alongar a coluna cada uma contará com o apoio da pessoa ao lado

Aquecimento
Atividade de musicalidade e expressão

Proposta: Adaptar os movimentos da música com os passos da dança Khalige.

Musica: Eu tenho uma tia
Eu tenho uma tia
Uma tia monicá
E quando ela passa
Todos dizem ola lá
Assim faz a Cabeça: (bis)
A Cabeça faz assim
Assim faz o ombro: (bis)
O Ombro faz assim
Assim faz o Quadril: (bis)
O Quadril faz assim
Assim faz o vestido: (bis)
O vestido faz assim
Assim faz a mãozinha: (bis)
A mãozinha faz assim
Assim faz o pezinho: (bis)
O pezinho faz assim

O Khalige é caracterizado pelos seguintes movimentos:

Pés: um dos fica totalmente no chão enquanto o de trás sofre uma elevação do calcanhar. Os pés se movimentam em uma troca constante de peso (da perna direita para a esquerda, e assim por diante).

Andar:
Projetando o quadril para frente, colocar o peso em um das pernas e andar para frente ou para os lados. Os braços bem soltos acompanham o movimento do quadril.

Movimentos de Ombro:
Deixar as mãos espalmadas e fazer elevação e depressão da escapula e flexão e extensão do cotovelo, imitando as ondas do mar. Fazer variações do movimento.

Variação:

Protração e retração da escapula com rotação da coluna ( movimentar os ombros jogando para frente e para trás).

Movimentos das Mãos:
As bailarinas tocam com a mão ao lado do nariz como um mergulhador faz ao descer ao fundo das águas em busca das ostras. Tocar o peito e testa alternando as mãos. Shimmie de mão.

Movimentos de Cabeça:
Utilizando-se um deslizar lateral com a parte da frente da roupa segurada longe do corpo e/ou escondendo parte do rosto juntamente com deslocamento lateral do pescoço.

Movimentos dos Cabelos:
O cabelo é jogado numa mímica das algas que flutuam nas correntes do oceano. Eles podem ser jogados de um lado para o outro, para a frente e para trás ou em círculos.

Dinâmica:
  1.  Composição Coreográfica: Passar uma seqüência simples dos movimentos aprendidos na aula.
  2.  Brincadeira: Brincadeira da bailarina e o espelho uma das alunas será a bailarina que ira executar os movimentos que aprendeu na aula e a outra será o espelho que terá que repetir os movimento igual a bailarina. Em um momento da música elas trocam de lugares e também trocam de pares.
  3. Dança livre:


Encerramento
Exercício de relaxamento: Ao som das ondas do mar as alunas devem relaxar soltando os braços; tronco; quadril, cabeça e pés imitando as ondas.

Jusci Santos e Priscila Genaro
Avaliação
Turma:

Cada aluna será avaliada pelas outras integrantes da turma, fará sua auto - avaliação e receberá a avaliação da professora. Os pontos a serem observados está mais relacionados com sua desenvoltura, comportamento, atenção, interesse demonstrado na aula e entrosamento com as demais do que com a técnica na execução dos movimentos. No quadro com os nomes das alunas a cada ponto positivo a
aluna receberá um coração.

Professor:
A turma também avaliara a aula respondendo as questões.
A aula cumpriu os objetivos propostos?
A estratégia metodológica adotada foi eficaz para o cumprimento
dos objetivos?


Referencias:
BERCADINI – Patrícia – Dança do ventre ciência e arte – Texto novo – 2002 
Dança do ventre infantil – Metodo SasaKl da Bailarina Rebeca Sasaki.
Dança Do Ventre E Didática Por Luciaurea Kaha – Disponivel em: HTTP://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/livrosdanca- do-ventre/30/danca-do-ventre-e-didatica-%E2%80%93-para- professoras-ealunas./864.Acesso em 15 de jun, 2017.
FARINATTI – Paulo de Tarso Veras – CRIANÇA E ATIVIDADE FISICA – 1995.
HAAS, Jacqui Greene ANATOMIA DA DANÇA – 1° EDIÇÃO – 2011.
NANNI – Dionisia – DANÇA EDUCAÇÃO – 3° Edição 2001.

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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Analise da Música Ya Msafer Wahdak - Mohamed Abdel Wahab por Izaura de Oliveira Nunis

Trabalho de realizado por Izaura de Oliveira Nunis para a conclusão do Módulo de Musicalidade ministrado por Paulo Genaro do Curso de Formação e Capacitação em Dança do Ventre oferecido por FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde sob coordenação de Priscila Genaro 

Analise da Música Ya Msafer Wahdak - Mohamed Abdel Wahab

Justificativa
Fazer este curso teórico foi uma decisão para entender mais sobre a cultura árabe e principalmente entender a leitura musical. Escolhi a música Ya Msafer Wahdak, com esta versão, primeiro pela beleza da melodia e em seguida a mistura do ritmo espanhol permeado na música que a deixa menos melancólica. E também porque ela já estava cortada em uma duração de 4 minutos.

Mohamed Abdel Wahab, compositor da música em questão, nasceu no Cairo, Egito em 13 de março de 1907, (outra publicação informa que ele nasceu em 1902) e faleceu em 04 de maio de 1991, hoje no bairro onde nasceu há uma estátua sua na praça Bab El-Sheriyah. 

“Aos 7 anos já fazia apresentações, aos 13 compôs sua primeira música, em 1933 começou compor seu próprio estilo, escreveu 8 comédias entre 1933 e 1949. Em 1934 atou no filme “a flor” com grande Record de público.

Filmes:

  • The White rose – A Rosa Branca – 1933
  • Doumou’el Hub – Lagrimas de Amor – 1936
  • Yahya El Hub – Viva Amor – 1938
  • Yawm Disse – Happy Day – 1939
  • Mamnou’a El Hub – O Amor é proibido – 1942
  • Rossassa Fel Qaib – Um bala no Coração – 1944
  • Lastu Malakan – Eu não sou nenhum Anjo – 1947


Em 1950 deixou os filmes para se dedicar apenas à música como compositor e cantor. Seu repertório chega cerca de 1820 canções e é considerado um dos mais inovadores músicos egípcios, com seu estilo refinado. Foi criticado por introduzir ritmos ocidentais em suas músicas, mas também foi respeitado e admirado por muitos, considerado como um dos principais artistas da renovação da música árabe”.

Compôs canções que foram interpretadas por muitas bailarinas, e suas músicas foram gravadas também por vários cantores famosos em muitas versões. E, YA MSAFER WAHDAK é uma delas.

Discografia – São 237 álbuns

1. 1959 Rio Imortal
2. 1963 Damasco
3. 1972 Immortal Melodies (3 versões)
4. 1972 Iandal/ amado desconhecido
5. 1972 Você é minha vida/Doaa médio
6. 1972 Cleopatra
7. 1972 Tani/ Faça o / moldar seis Habayeb 33546
8. 1974 Cairo By Night (3 Versões)
9. 1974 Mohamed Abdel Wahab
10. 1974 Mohamed Abdel Wahab
11. 1974 Orquestra (volume 2)
12. 1974 Mohamed Abdel Wahab/Aghar Mim/Emta Taoud-Instrumental
13. 1974 Mohamed Abdel Wahab – XLPCPL 201
14. 1974 Bafakar felli massini/El Nahr E Kaled (LP)
15. 1975 Al Karnak (2 versões)
16. 1976 Reminiscing with (2 versões)
17. 1976 Belly Dance – The musici of Mohamed Abdel Wahab (volume 2)
18. 1976 Dared El Ayan
19. 1976 Looking Back With – LPCXG 180
20. 1976 All Rune Favourites – LPCXG 178
21. 1976 Belly Dance – LPCXG 186
22. 1977 LPB 573
23. 1978 Kolleda Kan Leh – (4 versões)
24. 1978…Bafakkar Fil Massini – LPCXG 207
25. 1980 Wonderful Melodies of (volume 1) 30 LPCXG 131
(…)
234. Double Best (Tem a música Ya Msafer Wahdak)
235. 1977 Música Inta Omri (cass)
236. 1993 Na Hoyt & Overnight TC 27
237. 1987 Cleopatra (2 versões)

História da música: YA MSAFER WAHDAR – “O Viajante Solitário”

Foi composta para o filme egípcio de 1942, “O amor é proibido”. A letra escrita por Hussein Sayed.
A música Msafer está no álbum Double Best, no álbum “Músicas do filme Mamnoue El Hob” volume 1 e gravada no CD “Bellydance Supertars” volume 1.
Não foi possível localizar em que ano foi gravado o álbum Double Best.

A versão estudada neste trabalho tem uma forte característica espanhola, direcionada para o flamenco.
Sua letra fala sobre saudade de alguém que partiu e está longe e gostaria que estivesse perto, também pode ser entendida como um amor passeiro, que durou pouco tempo.

Tradução “O Viajante Solitário” YA MSAFER WAHDAR 

Oh viajante solitário
Oh viajante solitário
Está passando por mim
Irá você para longe de mim?
Irá você para longe de mim e sua ausência me assombrar
Ele disse “adeus” simplesmente dizendo “até logo”
E eu estou farta de amor para lhe oferecer
As lágrimas de meus olhos estão dizendo
“Oh viajante solitário
Está passando por mim
Irá você para longe de mim e sua ausência me assombrar.”

Outra tradução do inglês.

“O viajante solitário”

Oh viajante solitário passando por mim
Por que você está me deixando e me preocupa?
Você disse adeus como se diz até logo
Eu estou dando a você meu coração
Estas lágrimas dos meus olhos falam

O viajante solitário passando por mim

No fogo do desejo eu esperarei
E ser paciente com meu coração e ter esperança
Embora você não vem a mim, estou feliz
Faça-me desejoso em sua presença e me prometa.
Tenho medo de que a separação seja boa para você
E que a distância muda suas condições
Que eu possa estar sempre em sua mente.

Oh viajante solitário passando por mim
Não importa quão longe a distância entre nós
Meu coração nunca mudará
Eu lembrarei mais de você
Mas primeiro você deve apenas pensar em mim.


Análise da Música

Instrumentos identificados na música: Violão, acordeom, violino, derbak, castanhola, bongo, cítara, snuje.

Introdução: de 0:01 a 0:39 segundos. Composto pelo grupo de instrumentos violão, bandolin, acordeom e um instrumento de percussão (que lembra a batida de um bongo), com maior destaque para o violino e o acordeom tempo 3/4.

Início:
Parte A: Inicia aos 0:39 até 2:25 segundos.
Sobre o tempo ternário conhecido como. Tempo 3/4.
(Castanhola, violino, alaúde e acordeom).
De 0:48 a 1:00 – Bongo, castanhola, acordeom, violão, bandolim.
De 1:17 a 1:25 – rápido, derbak, snuje.
De 1:25 a 1:53 – violino, castanhola, teclado, derbak, bandolim
De 1:53 a 2:25 – violão, violino, acordeom, percussão (som diferente do derbak).
Entre 1:56 a 2:06 o ritmo fica mais rápido e tem o som de castanholas e derbak Tempo 4/4.

De 2:06 a 2:22 – Fica mais lenta, acredito que é para a transição para a parte
B, derbak e violino

Parte B: Inicia aos 2:25 até 3:27

De 2:25 a 2:58 – acordeom, violino, bongo, derbak 2:58 a 3:27; Sobre o tempo
4/4, porém dentro desse compasso muda a célula rítmica, tem partes que ela fica mais pulsante depois volta ao normal. (violão, derbak, alaúde e acordeom).
De 2:58 a 3:08 – Notas longa, teclado, derbak, violino e violão.
De 3:08 aos 3:27 repete a pulsação mais rápida. Com violão, violino, teclado e derbak – tempo 4/4.
De 3:36 aos 3:52, Repete a pulsação mais rápida que aparece na primeira parte, bandolim, derbak, acordeom, violino, snuje. Tempo 4/4.

Final da música: 3:52 até 4:04. Violão, acordeom, derbak, violino. Volta o tempo 3/4.

Textura:Polifônica homofônica, há vários instrumentos com destaque à melodia realizada pelo violino.

Na textura musical definida pelo número de vozes ou instrumentos, pode ser modificada de acordo com o timbre dos instrumentos ou vozes e assim as identificamos como leve e pesada, ríspida ou suave.

Ritmo: A música analisada tem característica Flamenca, a característica identificada pela presença das castanholas e o ritmo vibrante que tem a música espanhola.
Há uma variação ritmos com trechos lentos e rápidos, confunde um pouco com o ritmo Wahda e o Zffe.
Sobre o ritmo vale dizer que é o som que nos faz vibrar e balançar o corpo: lentos e rápidos, define a duração do som.

“Ritmo é a pulsação da música. Um ritmo é uma forma de usar o tempo sem precisar de relógio ou cronômetro.” (Cyntia Gusmão)
Forma: A música está dividida em introdução, parte lenta onde se destaca a melodia e outras com pulsação mais rápida. Parte A e Parte B. Na forma podemos identificar um tipo determinado de música.

Considerando que há formas simples, complexas, vocais, instrumentais, identifiquei a música analisada como forma complexa e instrumental, complexas pela presença de sons extensos e com vários movimentos, apresar de também possuir sons curtos. E instrumental porque só tem instrumentos não tem voz humana.

Conclusão
Fazer este trabalho me deu oportunidade de conhecer um pouco de música, já sei dizer o que é tempo binário, ternário e quaternário, me ensinou prestar atenção nos instrumentos que foram utilizados. Que as frases da música são como se elas estivessem dialogando. Esta música em particular é melódica, trás muito sentimento. Para uma performance é necessário muita dedicação, treino, dançar, dançar e dançar e ouvir muita música árabe para entender suas nuances.
“Não mates a arte dentro de ti” 

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