terça-feira, 25 de outubro de 2016

Dançando com Véu.

Dançar com um instrumento não é uma tarefa fácil, além do domínio das técnicas de Dança do Ventre  requer a destreza com o instrumento escolhido, como também conhecer qual musica e qual movimento se adequam melhor para compor uma coreografia contextualizada.
O véu é o instrumento mais democrático da Dança do Ventre, além de ser relativamente de baixo custo é recomendado para quem está  iniciando a dançar, pois serve de apoio para distrair os olhos de um quadril menos habilidoso.  Como a própria história da Dança do Ventre a dança do véu também é controversa.
Podemos encontrar  literaturas¹ de dança do ventre que afirmam que a dança com o véu era realizada por sacerdotisas nos rituais sagrados simbolizando o desapego e  retratando os seres etéreos, o elemento ar e a suavidade do ser. Na cultura oriental o véu é um manto utilizado para proteção dos intempéries da natureza, no Islã é um simbolo religioso, o referencial da mulher devota. De acordo com as pesquisas de Roberta Salgueiro o véu foi introduzido pelas bailarinas nos shows do Salah de Bad’ia Masabni, empresária bem sucedida do show business do Cairo no início do seculo passado, como forma de diversificar os espetáculos.
Apesar do véu fazer parte do cotidiano da mulher oriental foi no ocidente que esta dança criou forma, as bailarinas ocidentais desenvolveram técnicas para dançar com diversos tipos de véus: véu duplo, véu asas de Ísis, véu poi, véu fan. E dança-se com inúmeros véus de acordo com a criatividade de cada bailarina. Das danças com vários véus a mais famosa é a dança dos sete véus, que será abordada em outro texto.
No entanto na Dança do Ventre tradicional o véu é apenas a introdução de uma rotina clássica, onde a bailarina entra, manuseia o véu com suavidade e leveza e se desfaz dele num momento propicio da música para só então começar sua apresentação em si.
Mas nada impede que na livre criação artística a bailarina em seu solo ou num trabalho de grupo apresente uma coreografia inteira com véu, desde que não seja esquecido que na Dança do Ventre a enfase sempre está no cadenciado do quadril e nas ondulações do tronco e abdômen.
A dança com véu para mim é uma das mais prazerosas, me faz sentir livre e leve, me faz criança. Posso imaginar as mulheres de um passado extremamente distante se despindo de seus véus e dançando ao sabor de alguma musica simples e despretensiosa, apenas se entregando à melodia, sem preocupações, sem técnicas arrojadas, apenas corpo e alma em movimento, num momento único de encontro do Eu e do Cosmo, o reencontro com o Sagrado.
"Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar"
Nietzsche


Na sequencia minha dança com véu:


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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Estética da Dança do Ventre

"A estética deve ser considerada como psicologia do prazer estético e da criação artística"
Lev S. Vygotsky  

Diversos pensadores como Vygotsky , Freud, Kant e muitos outros dissertaram sobre a estética e a arte, Embora a dança geralmente fique de fora destas discussões, ela é uma das formas mais antiga do expressar artístico.
Mas o que é estética na dança, como podemos definir o que é belo?
Cada individuo  tem a sua definição do que é belo e prazeroso. Desde a antiguidade a prática da dança busca o sentimento de prazer, seja devocional ou corporal, e também de uma beleza estética. No entanto para compreender os padrões estéticos da cada dança há a necessidade de compreender historicamente a momento vivido de execução desta. 
O ballet clássico é o exemplo mais fácil deste padrão estético na busca do prazer através do belo definido pelo momento histórico social. Ele foi compilado num período da história no qual os prazeres do corpo e a sexualidade eram considerados pecados, embora sejam apresentados diversos temas românticos,  o amor no ballet sempre é apresentado como algo sublime e etéreo, os bailarinos transmitem imagens angelicais com seus corpo e movimentos retilíneos e verticais, induzindo a sensação de ascensão, a subida ao céu numa negação ao corpo terreno e carnal.
Priscila Genaro
Focando o olhar na Dança do Ventre, qual estética buscamos, qual estética a Dança do Ventre expressa?
As primeiras imagens que a retratam a Dança do Ventre mostram mulheres de forte físico robusto com trajes típicos ricamente adornados. No início do seculo 20 com a ascensão do cinema hollywoodiano, as bailarinas de Dança do Ventre foram influenciadas pela imagem estética das atrizes norte americanas com formas arredondadas e cintura fina.
Assim chegamos a outra questão a mídia define a estética social ou a sociedade define a mídia?
Após a década de 70 o padrão estético feminino foi definido pelo sucesso dos grandes desfiles de alta costura, onde apresentavam mulheres altas e muito magras com o propósito de não dar forma diferenciada às roupas, assim como os cabides nas prateleiras das lojas. Apesar das mulheres naturalmente possuírem formas arredondadas, pois possuem mais camadas de gorduras que os homens, este padrão estético de corpo magro e longilíneo foi incorporado como ideal feminino. 
Homens e mulheres cada vez mais seguem este padrão de corpo magro com mais músculos aparentes e menos gordura. A imagem midiática de corpos magérrimos e seios avantajados, estabelece como verdade uma imagem feminina antagônica, pois se os seios são formados em grande parte de gordura, quanto menos gordura menos seios, assim muitas mulheres lutam para reduzir a gordura de seus corpos  e compensam a falta dela nos seios com próteses de silicone.
Esta estética da magreza refletiu em todas as danças inclusive na Dança do Ventre. As bailarinas de corpo mais robusto com movimentos bem aterrados e horizontais não são tão bem vistas esteticamente. A dança do Ventre passa a ser retratada por bailarinas magras com movimentos amplos de braços e pernas numa crescente verticalização dos movimentos.
Assim como os padrões estéticos sociais a Dança do Ventre vem se modificando esteticamente, partindo de Dança Sagrada, Dança de Cura, para Dança de Cabaret e atualmente Dança de Espetáculo, exigindo novas expressões, novas imagens e uma nova estética. 
Acredito e desejo que estas diversas Danças do Ventre podem coexistir. A Dança do Ventre comercial no qual a preocupação é a reprodução de padrões vendáveis se relacionando harmoniosamente com uma Dança do Ventre libertadora, curativa, integradora e democrática, onde indivíduos de almas livres e dançantes possam se expressar abertamente através de seus corpos, com suas verdadeiras formas de fazer artístico e criativo. Afinal o belo e o estético são relativos e o mais importante da arte é a mensagem, como diz Roger Garaundy:
 "Se o bailarino ou coreógrafo não tem nada para dizer, a dança, mesmo pautada pela perfeição da técnica, se torna medíocre."


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