quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Desabafo: Você tem um lencinho de quadril meu bem? Então pode dançar!


No mês passado eu e minhas alunas realizamos uma apresentação no Mercado Místico em Santos Litoral de São Paulo, é sempre uma delicia dançar com elas, é verdadeiramente uma excursão escolar, porque aluno é aluno em qualquer situação, pareciam crianças brincando, foi tudo muito divertido e q me fez pensar sobre o ato de ensinar a Dançar.

A primeira vez que assisti um show de Dança do Ventre foi muito antes do "O Clone" e o bum belly dance, nesta época este nicho não era tão conhecido e por isso talvez existia um outro clima nos eventos. Fiquei deslumbrada, mulheres de todas as idades e "tamanhos", nesta época os homens ainda não eram tão adeptos como hoje, cada qual com seu charme e graça, um espetáculo apaixonante.

Ao menos era o que  eu via com meus olhos inocentes de iniciante. Embora ainda considero a Dança do Ventre como a dança mais libertaria que já pratiquei.

Por isso quando eu recebo uma aluna nova sempre procuro saber se ela quer ser profissional ou não. Fator muito importante para que eu possa direcionar a aula. Ao longo de mais de duas décadas estudando e ensinando esta Dança por diversas vezes me deparei com a mesma problemática.

Como posso ensinar a crença que tenho na liberdade de expressão e movimentação natural se  o  aluno não é bem classificado numa avaliação ou concurso porque está acima do "peso" ou com mais "idade", ou algo pior "seu nome ainda não é conhecido".  Estes critérios não estão relacionados com a capacidade e qualificação técnica de quem Dança. E sempre me pergunto:

O que define o profissional de Dança do Ventre? 
Quais critérios estabelecer para formar o Professor e o Bailarino de Dança do Ventre?

No Ballet Clássico estas regras são bem definidas, existem repertórios de movimentos específicos, como também estrutura e aptidão física pré definida.

Já na Dança do Ventre isto não existe.

Nada define o certo e o errado, não existe uma normativa sólida, apenas suposições e gostos pessoais expressos como regras em concursos.

A industria do entretenimento e do show business impõe um padrão de beleza e até de comportamento para quem quer ser profissional.


Mas e as pessoas que estão fora deste padrão ou não querem se submeter a ele?

A Dança do Ventre assim como todas as danças primitivas nasceu do instinto, da necessidade da expressão corporal, da comunicação através do corpo, mulheres, homens e crianças dançando uns para os outros compartilhando alegria, expondo a liberdade do corpo e da mente em sintonia.

Isso para mim é a Dança do Ventre verdadeira, não existe padrão, existe apenas o desejo de ser pleno e compartilhar isso.

O Dançar profissional exige o estudo técnico e teórico aprofundado, mas o ato de dançar é a exaltação a natureza humana em sua plenitude.

E quando alguma aluna nova ou alguém que almeja dançar me pergunta "será que consigo Dançar", respondo o que ouvi um aluno dizer:

  "Você tem um lencinho de quadril meu bem? Então pode dançar!


Segue vídeo da apresentação em Santos:


O estudo da música da primeira coreografia  foi feito pela Izaura Nunes no Curso de Formação em Dança do Ventre oferecido aqui no FIDES. Clique no link para ler:  Analise da Música Ya Msafer Wahdak 
 Dançar é Viver !!!



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