quinta-feira, 7 de março de 2019

Anatomia e Fisiologia aplicada a Dança do Ventre por Jusci Santos

Priscila Genaro e Jusci Santos em Festival FIDES
Este texto é o resultado da pesquisa e analise da sequência coreográfica realizada por Jusci Santos para a conclusão do Módulo de Anatomia do Curso de Formação de Professores de Dança do Ventre realizado no FIDES Centro de Cultura Lazer e Saúde sob a coordenação de Priscila Genaro e André Genaro.

Introdução

Para ser um bailarino e professor de dança do ventre é necessário conhecer além da arte e a técnica. Entender também os aspectos científicos, mecânicos e morfológicos que a execução dos movimentos desta dança predetermina é de suma importância.
Conhecendo não apenas como executar o movimento, mas também as partes do corpo que estamos trabalhando, e possível identificar de onde os movimentos surgem, qual a sua influencia e quais as consequências de um movimento incorreto no corpo. Além de favorecer na qualidade da técnica e melhorar o rendimento e diminuir os esforços excessivos na execução do movimento evitará acidentes, contusões e outros desconfortos na saúde.

Metodologia.

Esse trabalho trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa que teve como referencial de análise revisões bibliográficas baseada em artigos, livros e outras publicações atuais, sendo abordados os seguintes aspectos: o conceito, a anatomia da dança, descrição anatômica dos movimentos, qual o resultado da pratica do exercício no corpo, possíveis lesões e como corrigi-los.
. Descritores: Dança do ventre; anatomia; Fisiologia

Consciência Corporal.

O caminho da consciência corporal parte da observação de si mesmo, da observação de como seu corpo reage a cada movimento. Nos permite ter um controle maior sobre nossas possibilidades e nossos limites.
Quando esses conceitos são aplicados diretamente a prática da dança, o dançarino é muito beneficiado, pois a execução do movimento fica mais clara e objetiva. Quando há um problema na execução do movimento, é possível avaliar qual é a sua real dificuldade, pode ser um encurtamento, ou falta de força em alguma musculatura específica.

Anatomia

É a ciência que estuda macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados. (seres vivos). Na anatomia observa-se e estuda-se o conhecimento do corpo humano com a descrição dos ossos, junturas, músculos, vasos e nervos (DÂNGELO & FATTINI, 2007).

Fisiologia

A fisiologia é a ciência cujo objeto de estudo se prende com as funções dos do corpo, como as partes do corpo realizam suas atividades de manutenção da vida (MERIEB & HOEHN, 2009, pg 2) A fisiologia trata de estudar as interações dos elementos básicos do ser vivo com o seu meio envolvente.

Planos e eixos.

Planos de ação são linhas fixas de referência pelas quais o corpo se divide. A saber, são 03: O plano frontal ou coronal (frente e costa) responsável pelos movimentos de abdução e adução, o plano sagital (direita e esquerda) responsável pelos movimentos de flexão e extensão e o plano transverso ou horizontal (superior e inferior) responsável pela nossa rotação.

A Importância do aquecimento.

Para Iniciarmos qualquer atividade física é importante o aquecimento corporal. Os músculos necessitam de calor, por isso precisamos pré aquecer o corpo. Ao executar um tipo de aquecimento nosso coração aumenta a frequência cardíaca, elevando assim a pressão sanguínea (o sangue corre mais rápido nas artérias), o corpo entra em calor.
Porém somente isso não é suficiente para estar aquecido, os músculo, articulações e tendões necessitam de uma preparação mais específica que são os alongamentos.

Importância do alongamento.

O alongamento deve ser parte integrante de qualquer programa de treinamento. Alongar o corpo é uma ação simples e que pode trazer inúmeros benefícios. Para Alter (1999, p. 1) “exercícios de alongamento referem-se ao processo de alongar tecidos conjuntivos, músculos e outros tecidos”. O alongamento é uma forma de trabalho que visa à manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos e a realização dos movimentos de amplitude normal com o mínimo de restrição física possível. (DANTAS, 1995, p.65).

O Relaxamento.

Os principais objetivos do relaxamento e o desaquecimento, diminuir a temperatura corporal, restabelecer a frequência cardíaca e pressão arterial em níveis de repouso, evitando uma parada brusca na atividade, o que é desaconselhável ao sistema cardiorrespiratório, além de aperfeiçoar o processo de regeneração do organismo diminuindo aquelas dores musculares desagradáveis após o exercício,




Descrição anatômica do movimento – Sequencia Coreográfica.

1º Movimento.

Posição Inicial: Em pé, cotovelos estendidos no plano frontal extensão de punhos. Quadril encaixado, pés em flexão plantar (Meia ponta). Partindo para os movimentos.

Shimmie: flexão e extensão alternada dos joelhos.
Ondulação de braços:: Flexão e extensão de cotovelos, punhos e falanges.
Deslocamento para a direita no Eixo longitudinal.


Articulações envolvidas: Joelhos, Quadril, Ombro e cotovelos e falanges.

Principais músculos envolvidos:
Membros superiores:
* Cotovelo:
Extensão:Ancôneo, tríceps Branquial.
Flexão: Biceps branquial, Braquioradial,Braquial anterior
* Punho e falanges:
Flexão: Extensor radial do carpo, Flexor ulnar do carpo
Extensão: Extensor radial longo do carpo, extensor radial curto do carpo, extensor ulnar do carpo.

Membros Inferiores.

Flexão: Semitendinoso, Semimembranoso, Bíceps femoral, Poplíteo, Grácil, Sertório,.
Extensão: Quadríceps femural, Vasto Lateral, Vasto medial, Vasto intermédio, , Tensor da fáscia lata, Reto femoral, Glúteo máximo.


2º Movimento.


Abdução do membro superior direito, extensão de punho.
Membro superior esquerdo: Cotovelos estendido no plano horizontal, extensão de punho. Médio afastamento antero posterior dos pés. O pé da frente (Direito) em flexão plantar (Meia ponta).

Movimento básico Egípcio com chute: Extensão do joelho e flexão da Coluna Lombar.

Articulações envolvidas: Joelhos, coluna, quadril, ombro e cotovelos.

Principais Músculos envolvidos:

* Extensão do joelho: Vasto Lateral, Vasto medial, Vasto intermédio, Quadríceps, femoral, Tensor da fáscia lata, Reto femoral, Glúteo máximo.
* Flexão da coluna lombar: Reto abdominal, Obliquo interno e externo, transverso do abdômen, quadrado lombar.
* Ombro: Deltoide anterior, Deltoide médio, Peitoral maior, supra-espinhal.

A sequencia dos movimentos básico egípcio e camelo são feitos para o lado esquerdo e depois para o lado direito.


3º Movimento.


Cotovelos estendidos no plano horizontal, extensão de punhos Afastamento latero lateral da perna direita, flexão plantar do pé direito, Quadril encaixado, flexão de joelho. Inicio do movimento.
Camelo : Flexão e extensão da coluna lombar. junção, de forma contínua, de cinco movimentos: elevação do busto, contração do alto abdômen, contração do baixo

Articulações envolvidas: coluna lombar, quadril, joelho, ombro e cotovelos.

Principais Músculos envolvidos:

Flexão da coluna lombar:
Reto abdominal, obliquo interno e externo, transverso do abdômen, quadrado lombar.
Extensão da Coluna lombar:
Eretos da espinha (iliocostal torácico, longuíssimo dorsal, espinhal torácico e lombar) oblíquos, interno e externo do abdome e quadrado lombar.

4º Movimento.


Hagalla : Flexão e extensão lateral da coluna lombar, deslocamento transversal para frente e para trás com pés alternados.



Articulações envolvidas: Joelhos, coluna, quadril, ombro e cotovelos.

Principais Músculos envolvidos:

Flexão da coluna lombar: Reto abdominal, obliquo interno e externo, transverso do abdômen, quadrado lombar.
Extensão da Coluna lombar
Os músculos principais desse movimento são os oblíquos, interno e externo do abdome e o quadrado lombar do lado do movimento.




5º Movimento.



Redondo maior ( Zerão):Circunduções de Quadril. Os membros superiores fazer uma adução latero-lateral enquanto o quadril faz um movimento de circundução no sentido horário.



Articulações envolvidas: Joelhos, coluna, quadril, ombro e cotovelos.

Principais Músculos envolvidos:
Rotação interna: Tensor da fáscia lata,Gluteo médio,Glúteo mínimo, Adultor longo, Adultor curto.
Rotação Externa: Iliopsoas, Sártorio, Glúteo max, Gluteo médio, Adutor magno.


Impacto sobre as articulações.
:
Joelhos: Parte dos movimentos da dança do ventre parte do movimento dos joelhos. Por isso merece uma atenção especial. As doenças mais comuns relacionadas à dor na região do joelho são resultado do desgaste da cartilagem situada entre um osso e outro nas articulações. As dores podem ocorrer na frente, nas laterais ou atrás e muitas vezes nos impedem de executar um exercício ou até de dançar.
Entre casos extremos temos a Artrose, um desgaste completo da cartilagem que provoca a fricção dos ossos diretamente em contato, femur e tibia raspando-se um no outro causa muita dor. Há também Artrite Reumatóide que afeta entre outras articulações do corpo as do joelho e a Osteonecrose que corresponde a morte de parte dos ossos.
Quadril: Uma má mecânica da unidade pélvica na prática do shimmie por exemplo, ou A execução de movimentos mal compreendidos não respeitando a postura base, deslocamentos mal estruturados, ondulações da coluna que exijam um preparo que não foi respeitado ou desenvolvido, pode provocar desequilíbrios e sobrecargas anormais, gerando dor no quadril, joelho ou coluna.. Dentre as patologias que podem ser desenvolvidas estão a bursite, a lombalgia e a tendinite.
Treinar muito e repetir de mais determinado movimento com uma só parte do corpo também pode gerar lesões na região treinada, o recomendado é intercalar os treinos.
Por isso é muito importante fazer o alongamento de forma correta sem exageros, procure incluir em suas alimentações nutrientes que auxiliem num bom funcionamento das articulações, estimulando a produção de colágeno



Movimento Cambre:

Extensão de coluna. dobrar o corpo a partir da cintura para para trás, com a cabeça acompanhando o movimento.

Principais Músculos envolvidos:
:Eretores da coluna, Gluteos.


Nossa coluna vertebral é dividida em 4 segmentos: cervical (região do pescoço), torácica (região do peito, ombros e dorso), lombar (região da cintura) e sacral (região abaixo da cintura e nádegas). Nestas regiões, se vistas de perfil, distribuem-se 4 curvas: 2 que apresentam a concavidade para fora, e 2 para dentro. As que apresentam a concavidade para fora chamam-se lordoses, e as que apresentam concavidade para dentro chamam-se cifoses. As curvas fisiológicas (normais) da cervical e da lombar são lordoses, e as curvas fisiológicas da torácica e da sacral são cifoses.

Apesar desta maleabilidade e de sua capacidade de gerar belos movimentos, as regiões lordóticas da coluna são as mais vulneráveis. Por exemplo: a coluna lombar tem relação direta com o abdome. Se os músculos do abdome estão firmes, a curvatura lombar não exagera, e é protegida. Se, por outro lado, o abdome estiver “solto”, a curva lombar fica desassistida, vulnerável e instável. Os músculos paravertebrais, que correm paralelamente à coluna, dando a ela sustentação, entenderão que há risco de lesão, e se contrairão para evitá-la. É uma contratura com intenção protetora, mas dolorosa



* O cambré tem o quadril e a pelve como base de sustentação. Não se deve simplesmente “jogar as costas para trás”, nem atirar o quadril para frente, como uma “umbigada”;
* Os músculos abdominais devem ser fortes e flexíveis;
* Os pés devem estar bem posicionados (alinhados com o quadril) e os glúteos não devem estar soltos;
* A coluna deve se comportar como um arco que primeiro se alonga, se projeta, aumenta de comprimento, para somente depois se dobrar.
* O cambré sempre começa “crescendo”, com a sensação de deixar leves a cabeça, os ombros, as escápulas (antigamente chamadas “omoplatas”), as costelas, e só depois articular a coluna lombar. Nunca se deve começar o cambré “dobrando a cintura”; isto aumenta muito a chance de dores lombares, enfraquecimento dos músculos abdominais, hérnias de disco e problemas de nervo ciático;
* A cabeça deve ser um prolongamento da coluna, nunca deve ser “abandonada”, ou cair relaxada para trás;
* O retorno do cambré é tão importante quanto a ida. Não é um “puxão de braços” que faz o cambré retornar,
* A respiração é ritmada e conectada com o fluxo de movimento, transmitindo leveza e conforto ao realizar o movimento


Posições de compensação da coluna:


























Benefícios Físicos/ Biológicos da Dança

* A Dança do Ventre modela o corpo feminino, afinando a cintura e tonificando toda a musculatura interna e externa dos braços, pernas e abdômen.
* Elimina cólicas menstruais e regula o ciclo menstrual.
* Aumenta a flexibilidade e alongamento.
* Melhora a coordenação motora e aumenta os reflexos.
* Regulando hormônios do aparelho reprodutor.
* Para a terceira idade, corrige a postura diminuindo dores na coluna derivadas de escoliose, cifose e lordose, melhora a circulação sangüínea, recupera lentamente a elasticidade muscular e a resistência física.
* A Dança do Ventre melhora a postura de uma forma geral. Quando a coluna está alinhada corretamente, os grupos de músculos que a suportam estão equilibrados.
* Ativa a circulação.
* Alivia as tensões.
* Regula o intestino.
* Promove a irrigação sanguínea no útero, podendo oferecer maior fertilidade à mulher.
Jusci Santos e Priscila Genaro - Pompéia


Considerações finais.



Esse trabalho foi de suma importância para meu desenvolvimento tanto como bailarina e futura professora de dança do ventre. Através desse estudo adquiri uma consciência corporal muito mais profunda, podendo observar melhor a minha postura, como meu corpo reage a cada movimento e de que forma eu aproveito melhor as possibilidades do meu corpo para ter um desempenho melhor sem desrespeitar os limites do meu corpo. Tornando a minha pratica na dança mais bonita, limpa e mais saudável.
Além de poder passar o conhecimento da Técnica com mais responsabilidade e segurança para com o corpo dos alunos



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