quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 1

Outro dia em um grupo do Facebook um integrante questionou quanto a fala comum entre os praticantes de Dança do Ventre quando dizem que esta Dança resgata o Eu feminino é uma Dança Transformadora...enfim.   Questionava as mudanças psicofísicas que algumas pessoas relatam que ocorrem ao iniciar a prática e argumentava que ela não via nada disso na Dança, a praticava por achar linda somente.

Desde então passei a pensar sobre o assunto, pois pra min a Dança do Ventre foi exatamente tudo isso, me encontrei, me achei, me senti mais mulher, mais forte, mais tudo. Me descobri afinal.
Mesmo tendo vivenciado diversas danças, foi na Dança do Ventre que me senti artista com sua magia  e Deusa em plenitude ao mesmo tempo.

Mas por que isso ocorre com algumas pessoas e outras não? Por que algumas pessoas sentem tão vivamente as mudanças proporcionadas pela pratica da Dança e outras não?

Depois de mais de vinte anos de Dança convivendo com muitas alunas e alunos, cada um com suas histórias singulares, entendo que sim, a Dança do Ventre transforma, lapida, enriquece,  traz de volta algo que nem sabíamos que tínhamos. Mas para cada um este encontro é diferente e com intensidades diferentes, umas mudanças mais perceptíveis e outras mais sutis, mas sempre elas ocorrem.

Foi estudando o Yoga que encontrei uma resposta satisfatória para mim até o momento. Marcello Árias Dias Danucalov e RobertoSerafin Simões no livro "Neurofisiologia da Meditação" fazem uma extensa e profunda explicação sobre as mudanças químicas e fisiológicas que ocorrem no corpo e no encéfalo que leigamente acredito encaixa também na Dança do Ventre. Resumidamente a pratica da meditação desencadeia processos químicos que modificam a forma que o cérebro compreende o mundo externo,  causando novas ligações nervosas. Assim quem medita sente o mundo de forma diferente.

Acredito que a Dança também possa causar tais mudanças, mas não a Dança coreografada, onde a
preocupação com a sequencia, tempo, espaço e ritmo são predominantes exigindo uma ação racional e lógica. Embora seja comprovado que este tipo de Dança coreografada também proporciona inúmeros benefícios quanto ao nível de serotonina e cortisol no organismo, favorecendo a elevação da auto estiva e a diminuição do estresse e ansiedade, o que para muitos já é um ganho substancial na qualidade de vida.

Mas a Dança do Ventre vai muito além, quando estimulada de forma espontânea, sem coreografia, sem regras, somente um corpo que Dança de forma expressiva e instintiva, acredito que assim como a meditação traz profundas mudanças fisiológicas, o que muitos podem chamar de encontro com o Eu.

E foi isso que vivi e vivo com a Dança do Ventre. Quando estou sozinha em minha sala e me entrego a musica, não existe mais nada,   me sinto em total simbiose com o som que me preenche, sinto que o mundo se ilumina, cheio de Alegria, me sinto em Plenitude. O que também ocorre quando pratico Yoga.

Assim respondendo a pergunta inicial acredito que amamos a Dança do Ventre, pois nos faz seres unos em corpo e mente mesmo que inconsciente. Mesmo quando não temos esta intensão nossa mente transborda de emoções benéficas. Mesmo que não percebamos mudanças ocorrem em nossa mente e nossa forma de ver a vida e o mundo. Amamos a Dança do Ventre porque o mínimo que ela nos proporciona e a alegria do momento vivido.



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