quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 2 - O Caminho da Felicidade

Nosso cérebro é programado para sentir, interpretar e compreender tudo o que está a nossa volta e as nossas vivencias. 

Como isso ocorre não é mágica e nem mistério. Os centros de pesquisas tem avançado muito no estudo das substâncias que estimulam as sensações e emoções, infelizmente estes estudos possuem o objetivo de dar mais lucro à industria farmacêutica. Mas como nem tudo é para o mal, podemos tirar vantagem disto compreendendo melhor o nosso corpo e o nosso cérebro e como os dois estimulam nossa mente.

E o que a Dança do Ventre tem a ver com isso?

Tudo. Quando dançamos favorecemos a fabricação de diversas substâncias no nosso organismo e entre elas quatro muito importantes, tanto que foram apelidadas de quarteto da felicidade, pois quando em equilíbrio nos faz seres felizes e completos. Não somente a Dança do Ventre favorece isso, toda atividade prazerosa pode proporcionar a fabricação destes neurotransmissores, mas como este blog é sobre Dança do Ventre segue algumas dicas para quem procura o Caminho da Felicidade e quer ou pratica esta Dança Deliciosa.

Trace um objetivo palpável e próximo de ser atingido, pois ao traçar objetivos nosso corpo fabrica a dopamina que nos dá aquela sensação gostosa de conquista e desejo de realização comuns nos novos projetos. Comece com coisas simples, participar da próxima apresentação do local onde faz aula, não faltar em nenhuma aula este mês... E por aí vai, pequenas conquistas que devem ser comemoradas e a cada conquista trace um novo objetivo. Assim estará sempre renovando sua dose de dopamina, estará sempre animada com novos objetivos dentro da sua prática de Dança.

Se sinta o máximo, isso fabrica serotonina componente importante na fabricação de antidepressivos, pois sua falta causa a depressão e sentimentos de solidão. Mas como impulsionar sua fabricação naturalmente pelo organismo? Sabe aquela frase "fulana se sente", pois é, ela fabrica serotonina. Se valorize, perceba sua evolução na dança e na vida. Busque formas de se aprimorar sempre e perceba este crescimento, se ame, valorize o que tem de melhor. Todo mundo tem algo que faz bem, se é o shime ou uma ondulação, arrase nisso, use e abuse do movimento que faz melhor e "se sinta". O Palco não aceita os humildes, o bailarino é um astro cintilante, porém fora dele humildade faz parte do autorreconhecimento, pois quem se valoriza, valoriza também o outro.

Faça amizades, quando chegar à sua aula de dança veja as pessoas que estão  lá como parceiros e não como competidores, se permita cumprimentar as pessoas com abraços sinceros isso fabrica ocitocina, o hormônio das relações interpessoais. A pratica de Dança, além de ser uma atividade física também favorece o surgimento de novas amizades, mas para isso você estar disposto, fazer amigos não é fazer do outro seu muro de lamentações, o outro também quer ser ouvido. A palavra chave é compartilhar, trocar, ceder( não sempre), compreender, dar ao ouro o que você gostaria de receber sem exigir o retorno, fazer amizades é estar disposto a ver o outro. No ato de Dançar também fabricamos ocitocina quando acontece a entrega, pois ele é fabricado no momento no orgasmo, do êxtase, quem já passou por isso sabe que a plenitude no palco nos dá a mesma sensação do orgasmos, dançar em plenitude e totalmente entregue nos traz o êxtase da alma e muita ocitocina.

De risadas, quando errar o passo ria, quando não entender o movimento ria, gargalhe das pequenas desventuras que ocorrem nos ensaios e nas aulas de dança. Assim receberá doses frequentes de endorfina que combate os estresse, a dor e a depressão, pois tem efeito calmante no organismo. 

Por isso amamos a Dança do Ventre, ela assim como outras atividades, nos permite criar novos projetos e desafios, nos permite sentirmos bem com nós mesmos, ver o outro como amigo e parceiro, nos ajuda a superar as dificuldades do dia a dia. 

Amamos a Dança do Ventre, pois ela nos dá tudo o que muitos buscam nas farmácias e em outros lugares ilícitos. 

Amamos a Dança do Ventre porque nos faz feliz!!!


  

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Por que Amamos a Dança do Ventre? Parte 1

Outro dia em um grupo do Facebook um integrante questionou quanto a fala comum entre os praticantes de Dança do Ventre quando dizem que esta Dança resgata o Eu feminino é uma Dança Transformadora...enfim.   Questionava as mudanças psicofísicas que algumas pessoas relatam que ocorrem ao iniciar a prática e argumentava que ela não via nada disso na Dança, a praticava por achar linda somente.

Desde então passei a pensar sobre o assunto, pois pra min a Dança do Ventre foi exatamente tudo isso, me encontrei, me achei, me senti mais mulher, mais forte, mais tudo. Me descobri afinal.
Mesmo tendo vivenciado diversas danças, foi na Dança do Ventre que me senti artista com sua magia  e Deusa em plenitude ao mesmo tempo.

Mas por que isso ocorre com algumas pessoas e outras não? Por que algumas pessoas sentem tão vivamente as mudanças proporcionadas pela pratica da Dança e outras não?

Depois de mais de vinte anos de Dança convivendo com muitas alunas e alunos, cada um com suas histórias singulares, entendo que sim, a Dança do Ventre transforma, lapida, enriquece,  traz de volta algo que nem sabíamos que tínhamos. Mas para cada um este encontro é diferente e com intensidades diferentes, umas mudanças mais perceptíveis e outras mais sutis, mas sempre elas ocorrem.

Foi estudando o Yoga que encontrei uma resposta satisfatória para mim até o momento. Marcello Árias Dias Danucalov e RobertoSerafin Simões no livro "Neurofisiologia da Meditação" fazem uma extensa e profunda explicação sobre as mudanças químicas e fisiológicas que ocorrem no corpo e no encéfalo que leigamente acredito encaixa também na Dança do Ventre. Resumidamente a pratica da meditação desencadeia processos químicos que modificam a forma que o cérebro compreende o mundo externo,  causando novas ligações nervosas. Assim quem medita sente o mundo de forma diferente.

Acredito que a Dança também possa causar tais mudanças, mas não a Dança coreografada, onde a
preocupação com a sequencia, tempo, espaço e ritmo são predominantes exigindo uma ação racional e lógica. Embora seja comprovado que este tipo de Dança coreografada também proporciona inúmeros benefícios quanto ao nível de serotonina e cortisol no organismo, favorecendo a elevação da auto estiva e a diminuição do estresse e ansiedade, o que para muitos já é um ganho substancial na qualidade de vida.

Mas a Dança do Ventre vai muito além, quando estimulada de forma espontânea, sem coreografia, sem regras, somente um corpo que Dança de forma expressiva e instintiva, acredito que assim como a meditação traz profundas mudanças fisiológicas, o que muitos podem chamar de encontro com o Eu.

E foi isso que vivi e vivo com a Dança do Ventre. Quando estou sozinha em minha sala e me entrego a musica, não existe mais nada,   me sinto em total simbiose com o som que me preenche, sinto que o mundo se ilumina, cheio de Alegria, me sinto em Plenitude. O que também ocorre quando pratico Yoga.

Assim respondendo a pergunta inicial acredito que amamos a Dança do Ventre, pois nos faz seres unos em corpo e mente mesmo que inconsciente. Mesmo quando não temos esta intensão nossa mente transborda de emoções benéficas. Mesmo que não percebamos mudanças ocorrem em nossa mente e nossa forma de ver a vida e o mundo. Amamos a Dança do Ventre porque o mínimo que ela nos proporciona e a alegria do momento vivido.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...